ter uma miúda

Eu já calculava isto, mas ter uma miúda é o suicídio da carteira.
Já tem pouca roupa a servir-lhe e a pouca que tem é de Verão.
Tem alguma emprestada, ainda assim faltam algumas coisas tais como vestidos (uma gaja precisa sempre de um ou outro vestido), collants, um casaco e uma ou outra touca.
E por isso lá vou eu ter de fazer o ENORME SACRIFÍCIO de ir às compras para ela.
Prometo controlar-me e ficar-me pelo que realmente falta. Mas dentro disto ainda posso divagar bastante.
Juro, os meus olhos até brilham.

ele e ela

Ele já não tem calças que lhe sirvam do ano passado. Todas curtas.
Adora a irmã de paixão. O ponto alto do dia para ele é, ao deitar, quando estão os dois na cama dele a ouvir uma história.
Anda em fase de negação com a sopa e não se importava de comer omeletes de fiambre todos os dias.
Noutro dia viu-me a sair para ir às compras e perguntou "Vais estourar dinheiro?".

Ela continua um texugo. Não, está ainda mais texugo.
Sempre bem-disposta. É raro chorar.
Não gosta de sopa. De papa assim assim. Continua a preferir a vaca leiteira.
Continua a acordar duas vezes por noite. Às vezes, com um bocadinho de sorte, acorda três.

pensamento do dia (a propósito das minhas noites espetaculares)

Se há coisa injusta na amamentação é calhar sempre a nós levantar à noite para dar de mamar. E ver OUTROS a roncar mesmo ao lado.
Já comentei com o meu homem que ando a ficar senil, que acordo sobressaltada a meio da noite, sem saber se dei ou não de mamar, se a pus na cama dela ou se a deixei na nossa. Sempre preocupada se rebolei para cima dela. 
Sim, estou a dar o tilt. De maneiras que vou comunicar ao macho mais velho cá de casa que vai entrar ele de turno, que eu quero roncar como ele.
Não tem mamas, mas tem leite congelado ou aptamil.
Fui.

os meus pintores são mais fofinhos que os teus

Ando pelo meio da mega nuvem de pó em que a minha casa está submersa.
Olho para o chão, que está coberto de lençóis trazidos pelos pintores e vejo isto.
Tão fofinhos os senhores das obras...

as birras

Ah as birras... Esses momentos espetaculares despoletados por cenas várias e que fazem inevitavelmente parte da nossa vida quando decidimos ter criancinhas.
Lembro-me de assistir a cenas, antes de ser mãe, e de ficar com muito medo. De achar que aquilo seria o meu fim, que horror, coitados dos pais e como é que eu um dia vou fazer quando acontecer comigo.
Cuspir para cima também acontece a toda a gente, é um clássico. E eu cuspi muitas vezes.
O meu mais velho não é dado a grandes neuroses. É fôfo, gozão, porta-se razoavelmente bem. Sim, é uma jóia de puto. Mas... quando se passa... passa-se.
Ontem de manhã não quis sair da cama. O pai tentou acordá-lo diversas vezes. Eu ainda estava no vale dos lençóis depois de uma noite do demo (cortesia da mais nova) e não dei por nada, a não ser quando me levantei e assisti à cena.
Então batata-frita-pequena ainda não estava com vontade de sair da cama e passou-se da marmita. Não queria vestir-se para ir para a escola, não queria comer, tudo com grande drama e choro e gritos. 
Quando me viu, embirrou que queria que eu lhe desse os cereais à boca (com o pai em stress atrasado para uma reunião e a querer sair de casa daí a 3 minutos; com a mais nova a acordar naquele momento e a querer mamar; e com os senhores das obras - obras em casa, don´t ask - a tocarem à campaínha). 
Fora de questão, disse-lhe que tinha de comer os cereais sozinho ou então levava o pacote de leite para beber pelo caminho.
Mais choro porque tirei eu a palhinha do plástico do pacote de leite e não podia ser eu, tinha de ser ele.
Por esta altura já eu estou a aquecer, já está o pai em ebulição.
Não comeu nada, foi para a escola a chorar. Drama, drama, drama.
À tarde fui buscá-lo à escola, ainda com a mente toldada pelo sentimento de culpa de não conseguir ser eu a despachá-lo de manhã.
Estava a brincar, feliz da vida.
Perguntei-lhe porque tinha feito aquela birra de manhã. "Porque queria ficar a dormir mais um bocadinho".
Expliquei-lhe que o problema estava em deitar-se tarde, que não podia ser.
Disse-me "mãe, amanhã não vou fazer birra". 
E não fez. Hoje acordou em modo certinho e assim foi para a escola. Como se nada se tivesse passado.
Ficam os cabelos brancos desta aqui e os neurónios queimados.
A brilhante conclusão é que, se queres filhos então hás-de ter birras. É inevitável.
Mas sobrevive-se. Com alguns cabelos brancos e neurónios queimados, vá.
E no fim o saldo é positivo sim senhora. Não é um cliché.
Ah, a maternidade...

diga bom dia com mokambo

A minha máquina de café foi passar férias comigo. Eu voltei, mas ela continua de férias. Esqueci-me dela lá.
E eu sem café fico a modos que... agressiva. 
Porque neste momento sou como uma vaca leiteira particular da minha criança, fico por um café por dia e um garoto. Mas quem me tira isto, tira um pedaço de mim.
Depois lembrei-me "acalma-te gaja! Tens uma dolce gusto em casa que nunca usas!". Então hoje fui buscar a melhor chávena e... e... não funcionaaaaa!!! (Bela porcaria de máquina, já agora. Já foi uma vez para arranjar e agora só porque tirou uma licença sabática não quer trabalhar mais)
Posto isto, voltei à moda antiga.
Mokambo e água quente.*

* Eu sou a senhora do lenço na cabeça e espanador na mão ahahah!!