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Manhã boa

Costa da Caparica às 10:00

Hoje tive uma manhã tão boa tão boa mas tão boa que ainda tenho um sorriso na cara, apesar de ter tido uma tarde ranhosa e stressante. Eu e a minha cria fomos até à Costa da Caparica, essa bela localidade. Passámos umas espetaculares duas horas na praia, curiosamente na mesma onde ele irá fazer praia pela creche.
Ir uma manhã à praia com ele era coisa que andava a congeminar há umas semanas, mas nunca se proporcionava. Mas desta vez é que foi. E que bem que se esteve minha gente.
Fizémos castelos de areia com conchas, saltámos nas ondas e corremos. A minha criança é uma grande companhia, adoro. Arrisco dizer que prefiro ir com ele e não parar um minuto do que ir sozinha e ficar de papo para o ar.
Chegados a casa fomos para o banho e depois do almoço eu fui à minha vida, ou seja, trabalhar. Ele ficou bem entregue, na boa vida.
Tive uma manhã mesmo boa, mas depois trabalhei até tarde que me lixei.
Mesmo assim valeu a pena, ó se valeu.

post extremamente maternal e meloso

Hoje fui àquela coisa mítica que se chama reunião de pais. 
Então fiquei a saber que batata-frita-pequena é uma criança calma, serena e muito meiga.
Eu sei que a minha cria é um doce. Às vezes sobe-me a mostarda ao nariz, o gajinho faz birras e desafia-me, mas sei que está tudo dentro do razoável e que tenho muita sorte por ter este filho tão meloso, que passa a vida a beijocar toda a gente.
Espero que esta doçura faça parte dele a vida toda e que contagie os que o rodeiam com este afecto todo.
Haja amor!

Uma das cenas mais fixes de ter um miúdo a caminhar para os 2 anos é provavelmente o facto de ele já se explicar muito melhor e de perceber tudo o que dizemos

Hoje eu não sabia onde estava a escova e pasta de dentes dele e perguntei-lhe onde está a tua escova de dentes? Mostra à mãe onde está.
Enquanto andávamos à procura eu dizia mau mau! e o personagem repetia mau mau mau mau! :D

No final, não é que encontrou a escova e a pasta?

reaprender a dormir

Ontem, depois de deitar batata-frita-pequena, pensei: o gajinho tosse durante a noite e de cada vez que tosse, acorda. Quando acorda, começa a chamar-me mãe mãe. E eu feita mártir vou logo a correr fazer festinhas nas costas.
Então pensei, esta noite vai ser diferente. Chama-me e vais ver.
Tossiu, acordou e chamou. E eu acordei com a choraminguice dele, mas não fui. Chamou mais uma vez, chamou outra e adormeceu. 
Aconteceu mais uma vez e foi a mesma coisa, voltou a adormecer. 
Cheira-me a manha, misturada com mãezite aguda. 
Não dá, depois desta semana de maratonas nocturnas estou por tudo. Temos de reaprender a dormir. Eu e tu, batata-frita-pequena.

"pai" também é uma palavra muito bonita

As minhas noites continuam uma jornada. Hoje acordei quase de hora em hora com batata-frita-pequena a tossir e a chamar mãe mãe.
A maternidade é uma coisa muito bonita, mas os putos de vez em quando podiam variar e chamar o paizinho.
Ouviste batata-frita-pequena?
Preciso de uma cura de sono. ASAP.

19 meses

Minha rica batata-frita-pequena está linda e crescida, com 19 meses.
Como mãe de 1ª viagem estou a ver tudo pela 1ª vez e a vibrar com cada novidade, se bem que imagino que no 2º ou mesmo 3º filho se descubra muitas outras coisas novas.
Mas falando no que interessa, noto, aos 19 meses da batata-frita-pequena uma evolução para rapazinho. Esqueçam lá o bebé. Está a tornar-se num rapaz.
Começou a fazer uma espécie de rugido à leão quando está entusiasmado. Muito típico, penso eu, de rapazes.
Noto que agora corre muito mais rápido. Sim pessoas, uma mãe ou pai pensa que quando a cria começa a andar é que é. Mas e quando os gajinhos dão corda aos sapatos? Aí é largar tudo e correr atrás.
Quando acorda de manhã já não choraminga. Chama mãããããeeeee.
Trepa tudo com muita facilidade que quase me dá um fanico.
Imita (ou tenta imitar) tudo o que dizemos. Também quer fazer tudo igual a nós. Agora tem a mania de comer tudo igual a mim, por isso dividimos o pequeno almoço.
Está um bocadinho mais independente, por isso é cada vez mais frequente sentar-se por uns minutos no sofá a ver tv enquanto faço o jantar, ou desaparece em casa e fica em silêncio - isto normalmente dá em asneira, quando está calado é mau sinal.
É muito descarado e goza-me a mim e ao batata-frita-pai. E ainda ri à gargalhada no final.
Tem uma pequena mesa e cadeira novas onde faz desenhos com lápis de cera. Mas os desenhos já se estenderam às paredes, à toalha de mesa e às cadeiras (sofá, temo por ti).
Está a sair-me um dorminhoco nas sestas de 2 ou 3 horas.
O vocabulário já está muito mais extenso, provavelmente porque é um papagaio e imita algumas palavras que dizemos. Amo a imitação mais recente. Digo sempre let´s go! quando vamos a sair de casa e ultimamente tem-me respondido gec go!.
Anseio pelos próximos desenvolvimentos.

os ouvidos e a maternidade

Os tampões para os ouvidos são para mim como Deus na terra. Foi o batata-frita-pai que mos apresentou um dia, depois de várias noites a agoirar o caro vizinho que gosta de ver tv como quem gosta de ouvir ópera.
E descobri os tampões amarelinhos ou os laranjas que também são bem jeitosos. São do melhor para quem tem vizinhos como o meu, para quem vive num sítio barulhento ou para quem quer ser transportado para um mundo de silêncio total.
Tudo muito bonito, portanto. Mas quando fiquei grávida, pensei ai que com os tampões não vou conseguir ouvir a criança. Qual quê. Desenvolvi o ouvido materno, aquele belo fenómeno de distinguirmos o som do nosso bebé a chorar a kilómetros de distância. Pois é. O vizinho fica em off, mas consigo ouvir a batata-frita-pequena ao primeiro choro. Mesmo estando do outro lado da casa e com tampões. A maternidade é uma coisa espetacular. Nunca mais nos deixa dormir em paz :S

o mundo cor-de-rosa versus negro da maternidade

Diz uma jornalista numa entrevista a uma revista (ista ista ista...): nasci para ser mãe, adoro. Não me é uma tarefa estranha nem difícil de desempenhar, estou como peixe na água.
Desde já, se me permitem as mães por esse mundo fora, por mim entregava-se já um óscar a esta mãe despachadona, a quem a maternidade não faz mossa. A sério, se há coisa que me faz rir é este tipo de discurso. É bom ser mãe? É espetacular. É recompensador? É, pois. Agora, não custa nada??? Quem é que esta quer enganar? Ah, já sei, quer ganhar o óscar.
Se calhar há mesmo mulheres assim por esse mundo fora, que vivem num mundo cor-de-rosa e dedicação aos seus e que são felizes assim. Que não choram de cansaço com noites em branco e filhos doentes, que não têm olheiras até aos pés, que não têm papa, sopa e outros corpos estranhos agarrados ao cabelo e à roupa, a quem não lhes custa o alvoroço hormonal e as dores depois do parto, a quem não lhes custa ver a vida de pernas para o ar.
Não, não há mulheres assim. Isto é uma grande tanga para ficar bem e vender a imagem. A não ser que se tenha babysitters, empregados e cozinheiros. Aí realmente a coisa há-de atenuar.

Eu, batata-frita-mãe me assumo (dentro do meu pseudónimo): adoro a minha batata-frita-pequena que até dói no coração, dou-lhe beijinhos todos os dias, dava a minha vida por ele, mas nem tudo são rosas. Se nasci para ser mãe? Nasci e depois fui mãe. Adoro ser mãe? Há dias grandiosos e outros menos bons. É uma tarefa estranha? Foi sim senhor, quando me tornei mãe havia todo um universo de desconhecimento e nervosismo associado. É-me difícil desempenhar esta tarefa? É sim, às vezes é difícil como o caraças. Estou como peixe na água? Não! Todos os dias são dias de aprendizagem.

E para rematar, diz ainda (respondendo à pergunta "o pai é participativo?") Ajuda-me imenso!
Eu adoro esta expressão. "Ajudar" é um verbo espetacular.

Precisa-se com urgência: mães equilibradas e saudáveis da cabeça, realistas e sinceras.
Obrigada.

a minha hora

Tenho a minha hora. É aquele período de tempo, à noite, depois de deitar batata-frita-pequena, em que me atiro para o sofá, como umas colheradas de gelado e vejo qualquer coisa que gravei na box.
Sim, sou uma mulher de gostos simples, básicos, vá. Para mim isto é tudo. É aquele momento do dia em que ninguém choraminga, em que ninguém me pede nada, em que não tenho o stress a perseguir-me. (Não me estou a chorar à toa. O stress persegue-me mesmo durante o dia.)
Por falar nisso, está aí a minha hora. Fui.

muro das lamentações

Ninguém merece, pá. Ninguém merece acordar às 7:30 da manhã de um DOMINGO, depois de um jantar com amigos que durou até às 2:00.
Ninguém, em nenhuma freguesia, merece dormir 5 horas ao fim-de-semana.
Batata-frita-pequena acordou hoje com o raiar do sol a choramingar (acorda sempre a choramingar). A minha primeira reacção, depois de abrir ligeiramente os olhos, foi pensar não, não pode ser. Dorme dormeee dormeeeeeeee. Sim, acredito no poder da oração desesperada. Mas não resultou, caraças.
Então toca de ir buscar batata-frita-pequena ao quarto e levá-la a dar uma voltinha matinal. É o melhor remédio para eu abrir a pestana, apanhar muito ar na cara e pôr o corpo a mexer.
E é assim que percebo que é bom não desperdiçar a melhor parte do dia: a manhã. Aproveitar o ar puro e a maresia num sítio que tem verdadeiras enchentes durante a tarde, mas que de manhã priva pelo silêncio e por ocasionais madrugadores. Tomar um café numa esplanada que está sempre lotada, mas que naquele momento está vazia e o atendimento é fulgurante. Vêr a alegria da batata-frita-pequena maravilhado com as gaivotas e com a liberdade de poder correr até cansar. Passar pelo supermercado para comprar peixe para o almoço e não ter filas intermináveis para pagar.
E olhar para a batata-frita-pequena e mesmo sentindo-me cansada, pensar que tenho definitivamente o coração cheio.

o sofá creme

Na primeira vez que vi a batata-frita-pequena, com a boca suja de sopa a correr em direcção ao sofá, estremeci, arregalei os olhos e soltei um grito de comiseração.
Na segunda vez, (mãos sujas de ameixa, jeitosa para fazer nódoas que só ela) engoli o grito de dôr e pensei "faz parte... inspira, expira...".
Na terceira vez, (boca, mãos e cabelo com pizza) olhei para ele com olhos miseráveis, encolhi os ombros e pensei "que se lixe".

O próximo sofá vai ser preto.