quem sofre do mesmo diga "eu"

No reino da casa da famelga batata frita há um assunto a modos que delicado.
Digamos que alguém ressona intensamente. E esse alguém não sou eu. Nem batata-frita-pequena.
Já conheço todos os tampões para os ouvidos do mercado. Sei que os melhores são uns amarelos de esponja. Sou doutorada.
Só que os sacanas dos tampões amarelos nunca mais os vi nas farmácias. Sumiram-se. Existem uns que são para o efeito desejado, mas não têm nada a ver.
Então ontem, numa última tentativa, fui a uma farmácia tentar encontrar uns.
A senhora olhou para mim com um ar muito cúmplice e cabisbaixo e disse-me "sabe, ontem tive de ir dormir para o outro quarto!".
É estranhamente reconfortante perceber que não estou sozinha nesta saga que acho que nunca vai ter fim. Aaaaaaahh.

sabes que és mãe

... quando a canção do Carteiro Paulo não te sai da cabeça (e da boca) o dia todo.
Socorro.

sentimento de posse

Hoje telefonei à avó que ficou com batata-frita-pequena para perguntar se estava tudo ok. 
Mas quem me atendeu o telefone não foi a avó.

batata-frita-pequena: Olááá!!!!
eu: olá querido! Estás bom?
batata-frita-pequena: Sim... Já chegaste a minha casa?

extreme times call for extreme measures

Depois de uma semana fora (que incluiu coisas altamente excitantes, como o avião, barco, etc), ontem voltámos à nossa rotina, que é como quem diz, berreiro para dormir.
Foi a estreia em casa, depois de uma semana fora. E foi outra vez uma choradeira pegada.
Então eu, provavelmente farta de tanto guincho e queixume, passei-me completamente da cabeça, arregalei os olhos e disse-lhe "sais da cama e levas uma palmada. É para dormir!!". Bem, eu não "disse" apenas. Proferi essas palavras num volume não recomendável. Digamos que é provável que o resto do prédio já saiba o que se anda a passar aqui por casa.
Gritei e falei como uma louca, mas o que é certo é que resultou. O puto continuou com lamúrias, mas não saiu da cama. Passados poucos minutos adormeceu. Acordou de vez em quando durante a noite a chamar por mim, ao que eu respondi CHIUUUUUUUU!!!!! e que o fez voltar a adormecer.
Pronto, ainda não está perfeito, mas a coisa terá de ir ao sítio.
Hoje já não fez fita para adormecer. Pediu-me só para deixar a porta aberta. 
Passei-me, é verdade, mas uma gaja não é de ferro.
Extreme times call for extreme measures.

pediatria também na gravidez

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Estava eu grávida quando me disseram com a maior das naturalidades que o pediatra dos nossos filhos escolhe-se antes de o bebé nascer. Que é boa ideia ir a uma consulta antes do parto, para conhecermos com calma o futuro médico dos nossos filhos.
Isto nunca me tinha passado pela cabeça. Nunca imaginei ir grávida a uma consulta de pediatria. De facto, não cheguei a ir, mas hoje olho para trás e não acho uma ideia assim tão descabida. Faz até todo o sentido! A primeira consulta de um recém nascido é sempre de novidade e ansiedade e ao mesmo tempo serve para travarmos conhecimento com o médico escolhido. É muita coisa de uma só vez. Especialmente para pais de primeira viagem. Para além de que a 1ª impressão é muito importante. Por isso, porque não ir com calma, antes de o bebé nascer? Sem choros que nos distraem e nos levam muitas vezes a esquecer perguntas importantes a fazer ao médico? Não esquecer de levar o bloquinho de notas!

Não gostei da primeira pediatra que escolhemos. Talvez se a tivéssemos conhecido antes não tivesse sido necessário mudar.
Sim, a verdade é que nunca é tarde para mudar. Por isso ao fim de 4 meses mudámos para muito melhor. 
Mudámos para um pediatra de gargalhada fácil. Que ouve com calma. Que opina nos seus limites. Muito profissional e disponível. E que nos transmite muita tranquilidade.
Nunca me vou esquecer da primeira consulta, em que ele me perguntou se estava tudo bem comigo. Comigo? Oi? Não era eu a paciente, mas inevitavelmente sou uma continuação do pequeno ser que estava ali. Agradeci e falei sobre temas como a amamentação, a creche e outros receios de pais de primeira viagem. Lembro-me também de quando ele virou do avesso (literalmente) o nosso bebé e como fiquei a olhar de lado para ele e a pensar ok, o meu filho não é um frango, tá?? 
E o choro durante a consulta, que nos ferve o corpo mas aos pediatras parece entrar por um ouvido e sair pelo outro? Com uma calma fria e metódica continuam a consulta como se nada fosse? Ai as hormonas são uma coisa tramada. 
Enfim, até hoje sempre estive à vontade para pedir conselhos sobre os mais variados temas. E, surpresa das surpresas, fico muito mais calma e segura depois de falar com o pediatra.
Infelizmente ou felizmente não vamos ao seu consultório há muito tempo. A nossa cria está aí para as curvas. Não fica doente há meses (como adoro o Verão!).

Um conselho na escolha do pediatra dos vossos filhos: alguém recomendado por alguém que conheçam e que se mostre sempre disponível para contacto fora das consultas. Que não vos imponha nada e que olhe também para os pais. Para a família no seu todo! Nunca tenham vergonha de perguntar o que quer que seja, o pediatra existe para também tirar dúvidas. E às vezes é mesmo o que dá melhores conselhos, no que toca à parte emocional da relação mãe - pai - criança.Médicos de crianças são mais do que médicos. São anjos protectores da família!

noites longas

Na sequência da fase espetacular que temos vivido (NOT!), tenho a dizer que não me segurei e telefonei ao pediatra. Tentei não choramingar muito que para criança chega o meu filho, mas enfim, contei-lhe que isto anda mais para lá do que para cá, que o puto não há maneira de dormir a noite inteira, que continua a acordar de hora em hora a gritar e a chorar e não quero ficar sozinho, ficas comigo?
Então o querido Dr. V disse para ter muita calma, para transmitir segurança e tranquilidade à minha cria. Para ter paciência que isto passa, é preciso é ser consistente e insistir na rotina de sempre. Ainda recomendou umas gotinhas maravilha.
Fiquei mais confortada, é sempre bom quando nos passam a mão no pêlo, é uma espécie de ida ao psicólogo. Adoro telefonar ao pediatra :D
Enfim, cá nos vamos aguentando. Ou não. Há manhãs em que acordo com o corpo preso à cama. Não consigo pôr o cérebro a funcionar. O meu homem também anda meio morto-vivo, que isto tem tocado aos dois.
Esperamos por novas noites, de preferência sem interrupções e silenciosas.