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eu e ele

Depois de um dia alucinante, chegamos a casa estoirados, a horas indecentes.
Eu decido-me por uma salada das minhas. Alface, tomate, milho, maçã, ovo, cenoura.
Ele, decide-se por uma pizza gordurosa, com bacon.

Somos nós. A água e o vinho.

Sabes que já não há nada a fazer por ti quando...

... estás sozinha no carro - sem ditadores - e mesmo assim fazes um trajecto do princípio ao fim a ouvir e a cantar alegremente as Histórias da Carochinha. E só te dás conta disto ao chegar a casa.
Hopeless.

eu e ele

Na empresa, onde estamos eu e batata-frita-pai, num raro momento a sós.
Cada um sentado na sua secretária.
Eu a ver os sapatos do site Bimba & Lola.

Ele (com um ar reprovador): impressionante como andas sempre a ver essas coisas na net!
Eu: olha, eu ando sempre a ver lojas online e tu andas sempre a vêr as acções, tá?!
Ele: pois... bem visto.

dormir

Não é para meter nojo, mas ultimamente ando a dormir profundamente e muito. Tipo, caio na cama e pumba, adormeço. E a noite toda. Não há cá xixizinho a meio da noite, que era coisa habitual.
Batata-frita-pequena, por sua vez, também tem dormido a noite toda e acordado tarde, em cima da hora para ir para a creche. Das 21h às 9:00.
Curiosamente, quanto mais durmo, mais sono tenho. 
Ele há coisas.

à espera que o bicho passe

Ter herpes é uma seca do caraças. Arrisco dizer, que não há nada mais incomodativo do que ter um mega herpes na boca.
Sofro disto há séculos. Quando ando mais stressada ou tenho o sistema imunitário mais enfraquecido, pumbas, toma lá um herpes se queres ver.
Isto é muito pouco atractivo. Batata-frita-pai não me quer dar beijos. Cada vez que me olho ao espelho, só vejo herpes. E dá umas dores do caneco.
Como se não bastasse, tive a inteligência de andar a besuntar o baton no nariz, porque andei constipada e tinha a pele seca junto às narinas. Então aconteceu uma coisa espetacular. O herpes deu à costa também no nariz.
Conheço o zovirax, o compeed, já esfreguei alho algumas vezes, já lhe pus álcool. Eu conheço as mézinhas todas, mas a maior parte das vezes nem faço nada, à espera que o bicho passe.

sábado

Manhã de sábado toda para mim.
Radar a ecoar na casa toda.
Pequeno-almoço demorado.
Jornal.
Era capaz de me habituar a isto, aí uma vez por semana.

rotinas

Leio vários blogs onde é relatada a rotina familiar semanal ao pormenor e no final desses relatos estou deprimida. Tenho vontade de me atirar ao mar.
Não faço jantar todos os dias, acho uma seca passar grande parte do dia na cozinha. Quando tem mesmo de ser, passo um bocado de volta da bimby, mas por norma prefiro gastar essas horas a brincar com a batata-frita-pequena ou a ir visitar a minha amiga A., que tem também ela um miúdo para o meu brincar.
Faço o jantar da batata-frita-pequena em 5 minutos e comemos nós adultos uma sopa, iogurtes, fruta, wraps, o que houver.
Não, não temos a rotina de comermos todos ao mesmo tempo à mesa. Nem sempre se proporciona. Somos uns desequilibrados.
Não vou a supermercados. Fico nervosa com o tempo que se gasta em grandes superfícies, os corredores enormes e tudo o que precisamos espalhado em pontas opostas. As filas para pagar deixam-me impaciente. Desde que descobri o continente online, nunca mais pus os pés no supermercado, a não ser a mercearia do bairro.
Nunca na vida consegui acordar mais cedo para ter tempo de fazer tudo com calma. Já tentei fazê-lo muitas vezes, até para correr, mas o snooze é o meu melhor amigo. Depois é tudo a correr, é certo. E muito mais stressante, é certo.
Mas... tenho outras rotinas, ou hábitos que tenho de seguir, senão corre tudo mal. Preciso muito de dormir 8 horas por noite, caso contrário fico agressiva (batata-frita-pequena podia ajudar-me mais nesta parte). Tento deitar-me sempre mais ou menos à mesma hora. É o meu ritual de ir para a cama com tempo para estar a ler, na conversa com batata-frita-pai ou a ver tv e a trincar m&ms. Sim, sou uma herege. Tenho tv no quarto. De manhã como sempre a mesma coisa, sou uma seca. Nunca vario, só ao fim-de-semana. Tenho de estar sempre a petiscar durante o dia entre fruta, iogurtes e bolachas maria. Se me esqueço disto em casa fico perigosa. Quando tenho muita fome fico alterada. Vivo com uma pessoa caótica e quando tudo fica de pernas para o ar, digo (com paciência/às vezes sem) que já estamos no limite do razoável e que temos de pôr ordem na vida e na casa.
Rotinas!

os brancos

Hoje olhei-me ao espelho e pensei caraças, tanto cabelo branco.
É verdade, eu, que sempre tive cara de miúda, agora tenho DEZENAS de cabelos brancos. Muitos começaram a nascer durante a gravidez e muitos outros têm aparecido mais recentemente à conta da minha nova profissão. É muito bonito termos o nosso próprio projecto, mas os cabelos brancos que se ganham, senhores...
Hoje devo ter ganho mais uns 10, tal foi o stress. Fora as pernas que me doem das corridas que dei. Estas corridas não foram de prazer, foram mesmo no trabalho.
Vou ali inspirar e expirar. E pintar o cabelo.

o romance

Batata-frita-pai vai levar batata-frita-mãe a passar uns dias de romance em destino surpresa. Sem batata-frita-pequena. Mesmo o que estamos a precisar.
Assumo a necessidade de tempo a dois, sem pretensões de mãe nº 1.
Férias (ou neste caso, mini-férias) a dois é do melhor.

a semana

Então já que estou lançada (3 posts num dia upa upa), vou já explicar o que é isto da semana à vez.
Um dia, batata-frita-pai, provavelmente ao ver-me irada por várias noites acumuladas mal dormidas, sugeriu adoptarmos o esquema da "semana". E o que é isto? Consiste em termos uma semana cada um para acordar com batata-frita-pequena, esse ser madrugador que nos tira do sério e do vale dos lençóis.
Ora, esta semana é o batata-frita-pai. Na próxima semana sou eu e assim sucessivamente. Se isto vai resultar? Eu sei lá. É esperar para ver.

férias

Depois da saga da havaiana do super-homem e desse belo início de férias, partimos alegres e esperançosos por uns dias catitas, na companhia da nossa batata-frita-pequena, há lá coisa melhor que férias em família.
Suspeito que o Alentejo já foi a minha casa algures noutra encarnação ou que um dia virá a ser. Largava tudo por aquele pão, pelas praias, pelo pôr-do-sol, pelas casinhas brancas, pela calma e por um belo bronzeado.
Adiante.
Descobrimos que a porcaria das havaianas são muito giras, mas estão sempre a cair dos pés da batata-frita-pequena. Não é a batata-frita-pequena que é um nabiças a andar não senhor. E o tamanho está supimpa. É o elástico que não prende bem no calcanhar. Então todos os dias se perdia uma havaiana e todos os dias andávamos a ver onde tinha ficado. No último dia desistimos e ficou algures na areia da praia de Odeceixe.
Adiante outra vez.
Não há nada que me agrade mais, de verdade, que ver batata-frita-pequena de fralda ao léu, pé descalço e olhos verdes a brilhar, todo contente no Alentejo. Mas à noite minha gente. À noite... À noite dava cabo de nós. Ou foi a excitação daquele pequeno ser, ou foi do colchão, eu sei lá. Foi ali qualquer coisa que nos escapou. Foram noites do camandro, com batata-frita-pequena sempre a choramingar. Então batata-frita-pai toca de trazer a criatura para a nossa cama. Isto nunca é boa solução. Então porquê? Porque tem um sentido inverso na batata-frita-pequena. Não dorme. Fica maluco, danado para a brincadeira, a ensaiar cambalhotas para o circo, de preferência para cima da mãe. Sim, agora estamos na fase da mãe. Mas é a semana da batata-frita-pai (um dia explico o que é isto da semana), que achou por bem fazer assim, pois se não pode rifar batata-frita-pequena para a mãe, então fica ali encaixadito entre a entidade parental.
Durante o dia foi a alegria. Batata-frita-pequena nasceu para a praia. É brincar na areia, é correr, é atirar-se à água sem medos. Batata-frita-mãe vibra com isto, que orgulho a minha cria tão desenvolta, tão morenita.
Então quando já lhe estávamos a tomar o gosto, eu secretamente a imaginar-me de espiga no canto da boca e a comer pão alentejano todos os dias, toma lá para aprenderes, toca de vir para cima que agora é assim, a malta já não pode ficar de férias muito tempo. Ser chefe é uma coisa muito bonita, mas dá um trabalho do caneco.
Ai, férias.


a saga da havaiana do super-homem

Batata-frita-mãe comprou umas havaianas do super-homem à batata-frita-pequena. Batata-frita-mãe achou muita piada e ficou a nadar em baba por ver batata-frita-pequena tão lindo e bonito e veranil, todo jeitoso a andar e a chinelar.
Batata-frita-mãe e batata-frita-pequena foram tratar de uns assuntos antes de irem de férias. Foram, íam, pois no caminho de casa para o carro que ficou estacionado na rua uma havaiana perdeu-se. Batata-frita-mãe fica histérica e chateada que o raio das havaianas custaram os olhos da cara (sim, têm 1/3 do tamanho das de adulto mas não deixam de ter quase o mesmo preço) e eram mesmo giras e agora a seca que vai ser ir outra vez à porcaria do shopping comprar outras iguais e eu gostava era mesmo das do super-homem.
Paciência, a havaiana perdeu-se, olha, azar, compram-se outras que caraças. Toca de ir lá acima outra vez buscar outro calçado para batata-frita-pequena. Isto tudo com 11 kg nos braços que o carrinho ficou no carro da batata-frita-pai.
Já com outro calçado, e já no rés-do-chão e eu a arfar, chegamos ao carro e quer da cadeirinha para batata-frita-pequena? Ficou também no carro da batata-frita-pai que por um belo acaso pirou-se para o trabalho nesta linda manhã em que era suposto já estarmos todos de malas aviadas.
Então batata-frita-mãe e cria não vão a lado nenhum, deixam-se ficar em casa. Não há cadeirinha, paciência para os assuntos por resolver antes das férias.
Batata-frita-mãe não se dá por vencida e percorre a rua toda com 11 kg de batata-frita-pequena nos braços à procura da havaiana do super-homem perdida.
Batata-frita-mãe é a maior, batata-frita mãe encontra a havaiana perdida na rua!!
Que comecem as férias.

pronta para estrelar ovos

Uma das desvantagens de se estar doente quando se é mãe, é não poder vegetar o dia em frente à televisão, com direito a queixinhas qual hipocondríaca. Há alguém que precisa de nós permanentemente, que pede para brincar, para comer e que não dá tréguas no que respeita a birras. Uma outra desvantagem é não ter avós para darem uma ajudinha.
Por isso, aqui estou eu, com 39º de febre, pronta para estrelar ovos na barriga, toda eu a ferver. E batata-frita-pequena aos saltos muito alegre e contente da vida.