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ter dois filhos tão diferentes

Ela é "cheguei e vim para ficar".
Circula pela casa e entretém-se por breves minutos sozinha ou a melgar o irmão.
No parque, alucina com o escorrega e com o baloiço. Tenta trepar sozinha pelo escorrega acima. Se por acaso alguém lhe passa à frente ou a chateia, ela empurra.
Se ouve música, começa logo a abanar-se e vai puxar o irmão para dançar com ela. É uma festeira. Não percebo a quem é que sai. Juro.
Se um adulto lhe dá uma ordem, ela refila.
É uma alucinada, sedutora, doida varrida.

Ele é "cheguei, mas façam de conta que não estou aqui".
No primeiro ano e meio de vida não me largou a saia. Era impossível cozinhar ou mexer-me. Tinha-o sempre agarrado às minhas pernas e chorava se eu virava costas.
No parque, até se aventurar no escorrega foi uma sorte. Se por acaso alguém lhe passava à frente ou o pisava, amuava e olhava para mim em desespero.
Observa, calmo e ponderado, a agitação. Não gosta de dançar, nunca gostou e fica atrapalhado.
Se um adulto lhe dá uma ordem, ele cumpre na maior parte das vezes.
É sensível, meigo, responsável.

diálogos

Ao acordar, batata-frita-pequena esfrega insistentemente os olhos.

Eu: "Tanto soninhoooo!"
Batata-frita-pequena: "Não é sono. Tenho uma caramela (ramela) no olho".
Eu: "Caramela?"
Batata-frita-pequena: "Ai! Enganei-me! Caramelo!!"

diálogos

Hoje, depois da escola, eu e batata-frita-pequena na praia.
Uma súbita vontade dele de fazer xixi.
Disse-lhe para apontar para as rochas.
Olha para mim com ar sério e pergunta:
"Mãe, se eu fizer xixi para as rochas, elas vão crescer?"

diálogos

No Domingo fomos andar ao pé da praia. Eu a empurrar o carrinho de batata-frita-baby. E batata-frita-pequena a andar de bicicleta.
Metade da cidade de Lisboa lembrou-se (e bem) de correr nessa manhã. E era vê-los passar.
Batata-frita-pequena achou por bem dar apoio moral e, a dada altura, gritou para um grupo que ía a correr:
"FORÇA NAS CANETAS!!!".

diálogos

Estamos a ver uma coisa qualquer sobre animais de estimação no disney junior (o cão, o gato, o peixe, blá blá blá).
Eu: então e qual é o nosso animal de estimação?
Ele: é o gato. E a mana.

Ontem levei o meu mais velho à consulta dos 4 anos.
Esperámos meia hora. Nessa meia hora brincou com os brinquedos da sala de espera e viu televisão. Eu li uma revista. Eu consegui ler uma revista quase inteira, wow!
Portou-se sempre bem, muito tímido e sorridente. Está bom, só um bocadinho lingrinhas. Disse ao pediatra que não é por comer pouco, que às vezes dá 10 a zero a mim. Então se lhe puser um prato de panquecas à frente não há migalha que sobreviva. Então é porque é muito mexido, disse o médico. Pois, só pode ser.
A consulta acabou tarde e por isso perguntei-lhe se queria ir jantar fora comigo, só nós os dois. Disse que sim, muito contente, que queria ir ao McDónels.
Eu estava esfomeada, por isso assim que me vi com as batatas e o hamburguer à frente lancei-me. Ele ficou a olhar para mim com ar reprovador e disse "mãe... não se come de boca aberta".
Regressámos a casa.
Ele, cansado e adormecido.
Eu, cansada e agradecida ♥.

sai um xanax para toddlers e um tira-nódoas se faz favor

Acordo às 3:00 com a melga júnior que perdeu a chucha. Ponho-lhe a chucha na boca e levanto-me para ir beber um copo de água.
Oiço a televisão ligada.
Chego à sala e vejo batata-frita-pequena de perna cruzada a ver o disney junior.
Digo-lhe que é de noite, que não são horas para estar ali e quem é que o mandou sair da cama, raça do miúdo.
Levo-o para a cama.
Vou-me deitar.
Estou quase a entrar noutra dimensão quando oiço "mãe... mãe!! MÃÃÃEEEE!!!!".
Vou ao quarto dele "o que foi?!".
"Tenho uma nódoa na meia".

4 anos

Às vezes olho para ele e lembro-me das bochechas de bebé. De quando o ía embalar à noite e como cabia nos meus braços. De quando o pousaram em cima do meu peito e olhei para ele pela primeira vez.
Isto já foi há 4 anos.
É surpreendente como deixamos de olhar para um bebé e passamos a olhar para uma criança. Que já diz e reproduz tudo. Que faz piadas. Que te ganha no Subway Surf. Que faz birras como se o mundo fosse acabar. Que tem uma conversa com conteúdo, do princípio ao fim.
Que tem pés grandes. A barriga já não é de bebé. É ágil e raramente cai. Argumenta e dá-nos a volta. Entra no carro, põe o cinto e fecha a porta sozinho. Eu fico a olhar atarantada, a chegar à conclusão que já não sou precisa para aquilo.
Digo-lhe, às vezes, que apesar de estar crescido quero que seja sempre o meu bebé. Ele diz que sim, que pode ser.
Teve uma festa só de amigos dele. Eu preferi assim porque estava rodeado de crianças que conhece e os putos entendem-se entre eles. A festa é para eles.
E eu adorei privar com os pequenos seres (só em tamanho) que convivem diariamente com o meu miúdo.
Não é preciso o tempo voltar atrás, que para a frente é que é caminho. Mas podia passar um bocadinho mais devagar. Ou pelo menos ter uma tecla de rewind e pause para apreciar o que nos escapou e não esquecer.
E depois voltar outra vez ao presente.

emancipação

São 7:30.
Vou à cozinha aquecer o biberão para batata-frita-baby e vejo batata-frita-pequena na sala, deitado no sofá, de perna cruzada a ver televisão.
Pergunto-lhe se foi ele que ligou a televisão sozinho. "Sim".
Rio-me e pergunto-lhe se já lavou os dentes.
Levantou-se, pôs no "pause" e foi à casa-de-banho tratar da vida dele.

diálogos

No carro, mega conversa existencial sobre crianças, adultos, velhos e por aí fora.
Eu: "Então e achas que a mãe é criança, adulta ou velha?
Batata-frita-pequena: "Tu és muito velha".

não pregarás petas aos teus filhos

Noutro dia tive de ir à arrecadação e alguém se colou a mim.
Chegados às catacumbas do prédio, a personagem apontou para brinquedos de há três anos atrás e pediu "mãe, deixa-me levar um brinquedo desses, deixa lá deixa lá, DEIXA LÁ!!!!".
E eu tive a atitude mais adulta que a situação pedia.
Disse-lhe "vamos embora rápido RÁPIDOOOO que noutro dia andavam aqui ratos!!".
Claro que, tendo eu um filho mariquinhas como tudo, só podia esperar que ele se pusesse a andar num instantinho. E assim foi. Pirou-se para o elevador.
Depois perguntou "mãe, porque é que há ratos na arrecadação?".
E eu (a pensar sua ursa, já sabes que a mentira tem perna curta e agora vais ter de inventar respostas) respondi "porque lá está sujo e tem de se fazer uma desratização".
Pois que hoje, ao vir da garagem, querido filho perguntou "mãe, já fizeram a ratação?".
E eu tive a atitude mais adulta possível.
Ri-me à gargalhada.

papéis invertidos

Pai chega a casa ao final do dia e vai ter com o filho.

Batata-frita-pai: "Queres brincar?"
Batata-frita-pequena: "Não. Preciso de descansar".

eles

Ele
A meio de um raspanete, faz sorriso pepsodent e abraça-se a mim.
Tento conter o riso e continuo a ralhar.
Ele abraça-se outra vez a mim. E outra vez e outra vez.
É tramado quando eles descobrem a manipulação.

Ela
Passa a vida a virar-se de barriga para baixo. E a tentar agarrar coisas que estão à frente dela.
É outra novidade recente: agarrar, estudar e passar de uma mão para a outra.
Está bastante constipada e é uma seca ter um bebé tão pequeno doente.

diálogos

Pergunto, da cozinha, a batata-frita-pai "queres café?".
Batata-frita-pequena intervém: "sim, por favor".

diálogos

Saímos à rua e está (finalmente) sol.

Eu (levemente histérica): Olha querido, está sol!
Batata-frita-pequena: Chegou a Primavera!!!

pois, não saíste lá grande negociador...

Guerra ao jantar para comer a sopa.
De repente, pai e filho começam a negociação.

Filho: Não quero mais sopa!
Pai: Come só mais 6 colheres.
Filho: Duas!
Pai: Três!
Filho: Quatro!!

diálogos

Em casa, preparo tudo para sairmos.
Ponho os óculos de sol e acabo de arrumar as coisas.

Batata-frita-pequena observa-me e diz: "Por acaso achas que está sol aqui dentro?".

diálogos das férias

"Mãe, sabias que as laranjas vêm da lanjaria?".

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Peço-lhe para se agarrar ao corrimão para descer umas escadas.
Ele, com ar condescendente: "Mãe... já sou muito crescido para isso".

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Prestes a ir de férias, acabamos de carregar o carro com a casa tralha toda.
Por último, pomos o ovo com a irmã no carro.
Ele: "E quem é que me põe a mim na cadeira?".
Nós: ...
Ele: "Estou à esperaaaaa!".

ai a crueldade infantil...

Ao ver batata-frita-pai a preparar-se para ir correr na passadeira, filho querido diz:
Vais correr para perder a barriga, pai?