o Natal e coisas bonitas

Há dias, uma certa e determinada amiga confidenciou que gostava de receber a família no dia 24 de Dezembro para a ceia de Natal, assim como a Nigella: com tudo a parecer lindo e fácil.
Ora... lamento desapontar, mas isso não existe. Tau.
Não é à toa que a Nigella dá nas drogas, como é que pensam que ela é tranquila no Natal?
Esta aqui recebeu parte da família em casa e uma coisa também vou confidenciar. Natal, chez moi, jamé.
Só quando se é criança é que se vive numa redoma de magia. E também quando se tem cozinheiras e empregadas. Ou quando toda a gente vira robô no fim da noite e ajuda a pôr tudo no sítio. Ou quando se vai a casa de alguém. Aí também é muito fixe.
Caso contrário... é uma dor de cabeça. Sim, isto é anti-natalício, mas é a mais pura verdade. É uma seca do caraças.
Maneiras que não, o meu Natal não foi enrolada numa manta tartan e bebericar um chá de roibos com a família reunida a cantar o jingo bell.
A minha véspera de Natal foi o dia em que encarnei a gata borralheira. Mas tudo bem, aí pela uma da manhã tinha o meu castelo de volta. Todo desarrumado e assim, mas meu outra vez.
É ver as coisas pelo lado positivo. Só tenho de voltar a pensar nisto daqui a um ano.

diálogos

No supermercado, batata-frita-pequena implora que lhe compre um donut.
Eu atiro um "não sei, não sei...".
Ele dá o seu melhor: "Ouve mãe... eu mereço".

diálogos (quando o teu filho te dá um bailinho)

Estamos a petiscar à mesa.
Batata-frita-pequena: "mãe, dá-me uma tosta".
Eu: "como é que se diz?"
Ele: "tosta".
Eu: "a palavra mágica!!!"
Ele: "mãe... não sabes que não se fala de boca cheia?"

voltei ao trabalho

Apetece-me dar dentadas a toda a gente.
Morro de saudades da minha rapariga.
Tenho remorsos porque vou buscar batata-frita-pequena mais tarde do que o normal.
Corro e não chego a lado nenhum.
Tudo a correr normalmente, portanto.

uma noite destas

E, se de repente, te vês sozinha em casa sem marido ou filho, sendo que acabas de deitar a mais nova e tens aí umas 2 horas pela frente de silêncio?
Não, não fico atarantada nem com saudades de ter a casa com barulho.
Abro uma garrafa de vinho e vejo um filme que falhei no cinema e que queria mesmo muito ter visto.

7 meses

Toda a gente diz que os filhos nunca são iguais.
Eu achava que tinha dois filhos muito parecidos, para além da parte física.
São iguaizinhos de cara, mas de feitio já não acredito.
Ela é charmosa, sorri muito, está sempre bem-disposta. Não há grande choro durante o dia.
Mas a noite continua a ter de ser muito trabalhada.
Está muito melhor e já não bebe leite durante a noite. Mas entre os ciclos de sono desperta muito e choraminga. Às vezes torna a adormecer. Outras vezes temos de lhe por a chupeta para adormecer.
Já não fica possuída pelo demo nas primeiras horas da noite. E durante o dia estabilizou numa rotina que lhe foi imposta. Já há sestas mais longas. Por isso, sim, posso dizer que evoluímos no bom sentido.
Está sempre a fazer olhinhos ao pai e ao irmão.
Já anda a comer melhor, se bem que por ela só comia 3 colheres e já estava.
Ainda não demonstra grande vontade de gatinhar.
Adora quando nos deitamos os três - eu, ela e o mano - na cama do irmão e ficamos lá a ouvir música.
Fica histérica com o irmão e na excitação de o tentar agarrar, já lhe deu grandes puxões de cabelos e beliscões.
Eu tenho verdadeiro medo de ter o cabelo solto quando a tenho ao colo.
Gosta de se ver ao espelho.
Adoro esta miúda.

A PDI

Quando tive o primeiro filho, alguns meses depois de ele nascer, caiu-me cabelo como se não houvesse amanhã. Quando finalmente parou de cair, nasceram alguns cabelos novos em lugares ridículos, tipo, uma franjinha que não serve para nada e uns outros espetados pelo couro cabeludo.
Desta segunda rodada aconteceu-me exactamente o mesmo. Mas com um bónus. É que grande parte do cabelo que está a nascer é branco.
PDI*, absolutely.

*Puta Da Idade

em modo "mexes o rabo ou levas"

Isto de treinar ao ar livre tem a sua parte boa.
Uma pessoa respira ar puro e vê o sol e assim.
Mas depois também há a outra parte. A dos espectadores.
Sim, há gente que fica a olhar.
É particularmente humilhante fazer agachamentos, abdominais e andar aos saltos com malta a ver.
Já apanhei tarados, velhas que se riem e miúdos intrometidos.
Mas enfim, tento concentrar-me na extinção da celulite e kinders alojados nas coxas.
Noutro dia, o PT sádico mostrou-me a boa arte de esmurrar. E ontem mostrou-me outro exercício altamente: os pontapés. Trata-se basicamente de girar a anca, levantar bem a perna e dar um pontapé com força no bloco de esponja que o PT sádico segura.
Sim, também adorei e sim, parecia uma alucinada. Adorei pontapear. Melhor que isso seria dar gritos de guerra. Vontade não me faltava, mas enfim, eu não estava num filme do karate kid e não queria assustar os esquilos.
Durante o pontapeanço, muitos senhores passaram por nós. Do outro lado do passeio.

Em modo "sai-me da frente ou levas". Tchanã!

emancipação

São 7:30.
Vou à cozinha aquecer o biberão para batata-frita-baby e vejo batata-frita-pequena na sala, deitado no sofá, de perna cruzada a ver televisão.
Pergunto-lhe se foi ele que ligou a televisão sozinho. "Sim".
Rio-me e pergunto-lhe se já lavou os dentes.
Levantou-se, pôs no "pause" e foi à casa-de-banho tratar da vida dele.

diálogos

No carro, mega conversa existencial sobre crianças, adultos, velhos e por aí fora.
Eu: "Então e achas que a mãe é criança, adulta ou velha?
Batata-frita-pequena: "Tu és muito velha".

não pregarás petas aos teus filhos

Noutro dia tive de ir à arrecadação e alguém se colou a mim.
Chegados às catacumbas do prédio, a personagem apontou para brinquedos de há três anos atrás e pediu "mãe, deixa-me levar um brinquedo desses, deixa lá deixa lá, DEIXA LÁ!!!!".
E eu tive a atitude mais adulta que a situação pedia.
Disse-lhe "vamos embora rápido RÁPIDOOOO que noutro dia andavam aqui ratos!!".
Claro que, tendo eu um filho mariquinhas como tudo, só podia esperar que ele se pusesse a andar num instantinho. E assim foi. Pirou-se para o elevador.
Depois perguntou "mãe, porque é que há ratos na arrecadação?".
E eu (a pensar sua ursa, já sabes que a mentira tem perna curta e agora vais ter de inventar respostas) respondi "porque lá está sujo e tem de se fazer uma desratização".
Pois que hoje, ao vir da garagem, querido filho perguntou "mãe, já fizeram a ratação?".
E eu tive a atitude mais adulta possível.
Ri-me à gargalhada.

batata-frita-pequena pezinhos de lã

Ontem de manhã, acordando com as galinhas e com a nossa rapariga às 7:00 (tau!), dirigi-me à cozinha para preparar o biberão.
Em piloto automático, aqueço o biberão no microondas. Esfrego os olhos. Olho para a janela a pensar na vida. O microondas apita. Conto as colheres com a máxima concentração possível que ainda é de manhã e o cérebro ainda está a aquecer. Agito o biberão. Viro-me em direcção ao quarto e apanho um dos maiores cagaços da minha vida. "BOM DIAAAAA!!!!"
Batata-frita-pequena esteve sempre ali, a observar-me.
Isto de ter criancinhas andantes, falantes e despertas é um atentado ao coração.

em modo "mexes o rabo ou levas"

Hoje, com esta chuva demoníaca, fui ter com o PT sádico ao seu ginásio.
Disse mal da minha vida quando me mandou fazer abdominais com uma bola de 3 kg pregada ao peito. Ou quando me mandou fazer uma série de 20 saltos (perguntei-lhe se ele me achava parecida com um canguru, mas ele não achou piada).
Mas... os meus olhos brilharam quando ele me mostrou... umas luvas de boxe. Sim, daquelas dos filmes.
E delirei quando ele me disse para esmurrar com força contra os nacos de esponja que ele segurava.
Eu, que nunca tinha dado um soco na vida, descobri que não há nada melhor para aliviar o stress.
É imaginar a cara de alguém ou uma situação menos boa e esmurrar, esmurrar!
Fiquei em êxtase e já pedi ao PT para passar a incluir isto nos treinos.
É que uma pessoa precisa de um escape, senão um dia passa-se e dá um malhão a alguém, como esta senhora, que estava danada com alguma coisa, de certezinha.
Atentai gente! Relaxem a dar uns socos. Mas não em outras pessoas, ok?

papéis invertidos

Pai chega a casa ao final do dia e vai ter com o filho.

Batata-frita-pai: "Queres brincar?"
Batata-frita-pequena: "Não. Preciso de descansar".

batata-frita-baby já sabe ler

... e viu o meu post.
Eu não sei de nada e não ponho as minhas mãos no fogo (o meu homem dorme ferrado), mas segundo o que ele me contou, esta foi a noite em que ela não bebeu leite e dormiu praticamente a noite toda. Quer dizer, parece que acordou umas duas vezes, mas assim que lhe puseram a chupeta, adormeceu.
E eu? Eu pirei-me para outra divisão da casa. Barriquei-me noutro quarto e avisei que precisava de isolamento radical, com direito a HORAS seguidas de sono.
Deitei-me às 23:00. Acordei ali pelas 4:00 com filho mais velho a pedir para o taparem, mas depois peguei no sono.
Acordei às 7:15, uma hora simpática para acordar. Não estou a ser cínica, eu não me importo mesmo de acordar a esta hora, desde que consiga dormir a noite toda. Foi ela que deu sinal e iniciou o dia.
Ouve miúda, estás no bom caminho. Vê se não avarias outra vez. Tu és fôfa como só tu consegues ser, mas sabes, a mãe precisa de repôr os neurónios saudáveis.

ter uma bebé que não quer comer

Sou eu!
Tenho uma baby gira nas horas e simpática, mas quando é para comer, o caso muda de figura. Vira bicho.
Já experimentei colher de silicone, de plástico e as de chá. Já experimentei batata doce, cenoura, abóbora e o raio.
A miúda não quer comer. Fecha a boca com força. Empurra com a língua. Sopra para não engolir.
No início começámos mais ou menos, ainda ía comendo alguma coisa. Agora uniu-se ao sindicato dos bebés que não comem e faz-me a vida negra.
Em média demoro uma hora para lhe dar o almoço ou jantar. Mas também já demorei uma hora e meia. Ah! E uma vez demorei duas horas.
Espetacular.
A única coisa que passa com distinção é o leite.
E eu? Eu já estive na fase passiva em que não insistia muito. Mas depois pensei olhamesta que já faz o que quer. Se não assumo a liderança passa ela a mandar em mim.
A modos que é isto. Uma espécie de duelo, todos os dias às 11:30 e às 18:30.

dilemas com muito nível

Decidi comprar uma garrafa de Moet Chandon para ter no frigorífico.
Para abrir quando a nossa rapariga dormir uma noite inteira sem nos melgar.
Claro que corro o risco da garrafa sair do prazo. E aí lá se foi uma fortuna para o galheto.
Se calhar não compro.
Compro antes uma vela para acender em sinal de agradecimento.
Os meus dilemas têm nível.

diálogos

Batata-frita-pai dá de caras com uma asneira.
Olha para o nosso crianço e diz "isto tem mão tua!".
Batata-frita-pequena, indignado, levanta as mãos e diz "ai não tem não! Vês?!".

um copo de tinto

Eu, apreciadora de uma boa vinhaça, fiquei em êxtase quando o pediatra liberou um copinho ao jantar, agora que já não sou vaca leiteira a tempo inteiro, apenas em part-time.
Mas, disse-me ele, "não é para apanhar uma carraspana, é um copo e dos pequenos". Enfim, uma pessoa não percebe porque raio ele diz isto. Se calhar topou-me ao longe ou então alguém lhe contou sobre as minhas (longínquas) noites em que me abraçava a uma garrafa de bom tinto e a dividia com o meu homem.
Adiante, ontem, para celebrar o acontecimento, abrimos uma garrafa de vinho.
Batata-frita-pai foi de propósito comprar e tudo. Ele é outro que nunca diz que não a um tinto.
Mesmo que quisesse beber mais do que um copo acho que não conseguiria. O mais provável seria ficar em coma alcoólico que isto de estar em abstinência há mais de um ano é quase como ser virgem de álcool outra vez.
Soube-me muito bem e veio em boa hora que isto do frio com um copo de tinto é do melhor que há.

porque os miúdos são do melhor


6 meses

E assim de repente passou meio ano desde que pus os olhos na minha rapariga.
Lembro-me como se fosse ontem das águas a rebentarem, das contracções maléficas (não há dor física maior neste mundo, não há!), do trabalho de parto rápido, do deslumbre, da magia. De ela nascer, de olhar para ela e dizer "tão pequenina!". De pensar "até que enfim nos encontramos".
Continua igual ao irmão, são os meus gémeos.
Continua simpática. Adora fazer charme para toda a gente, em especial para o irmão. O mano é uma espécie de santidade. Ele passa e ela arrebita. Dá gargalhadas só de o ver. É uma paixão.
Não é muito comilona. Vai comendo, mas acho que por ela continuava a mamar sem sopas ou papas.
Gosta de ficar sentada na cadeira de refeição a olhar pela janela.
Está sempre a virar-se de barriga para baixo e tenta rastejar para agarrar num brinquedo. Fica muito hirta de pescoço levantado, apoiada nos braços.
Fica largos minutos a estudar um brinquedo. Olha, mexe, adora etiquetas. Passa de uma mão para a outra e tudo outra vez.
Sorri sempre para a foto, sem eu dizer nada (gajas...).
A maior luta continua a ser as noites. Não há nada que mude isto. Estamos a implementar um novo método. Se resultar, eu conto. Se não resultar, acho que vou pirar.
Há dias menos bons em que eu penso "no que eu me fui meter". Mas no final do dia adoro o meu casalinho piroso, sou muito vaidosa com as minhas crias. Adoro andar de mão dada com o mais velho e vou adorar um dia andar com um em cada mão.

eles

Ele
A meio de um raspanete, faz sorriso pepsodent e abraça-se a mim.
Tento conter o riso e continuo a ralhar.
Ele abraça-se outra vez a mim. E outra vez e outra vez.
É tramado quando eles descobrem a manipulação.

Ela
Passa a vida a virar-se de barriga para baixo. E a tentar agarrar coisas que estão à frente dela.
É outra novidade recente: agarrar, estudar e passar de uma mão para a outra.
Está bastante constipada e é uma seca ter um bebé tão pequeno doente.

diálogos

Pergunto, da cozinha, a batata-frita-pai "queres café?".
Batata-frita-pequena intervém: "sim, por favor".

avaliação física

Hoje foi dia de avaliação física.
Fiz uma antes de começar os treinos com o PT sádico e fiz esta agora, 5 meses (!) depois.
Para começar, nunca na vida pensei fazer exercício de forma regular durante 5 meses. Quer dizer, não tinha outro remédio, que o danado do PT vinha buscar-me a casa pela orelha, se fosse preciso. A modos que tenho mesmo de treinar, nem que seja obrigada.
Nunca tinha visto o PT tão meiguinho e orgulhoso, mas também, esta aqui merece.
Depois de tanto me matar, choramingar e suar temos grande evolução. Menos centímetros, menos massa gorda, mais massa muscular e eu toda mais rija que é como quem diz, mais tonificada.
O peso está bem, podiam ser menos 2 kgs, mas eu recuso-me a dizer adeus aos milkas e twixs desta vida.
Mas, mais importante e que é realmente o meu objectivo, é que já não me canso facilmente. Tenho mais genica. Corro 1 hora sem parar. E não quero parar. Nem aos 70 anos.
Daqui a 3 meses avaliamos outra vez.
Maria Kang, me aguarde :D

loiras falsas


Há mais de um ano que não toco em álcool por razões óbvias.
E pessoa como eu, que aprecia uma cerveja geladérrima ou um vinho branco no Verão ou um vinho tinto no Inverno... olhem, é duro!!
Adiante, na minha primeira gravidez descobri uma cena altamente, que é cerveja sem álcool. Tem de estar mesmo fresca para não se dar por ela. Garanto-vos que já enganei algumas pessoas com cerveja sem álcool e ninguém percebeu.
Há uma ou outra marca que eu não gosto.
Entretanto descobri uma que é tudo aquilo que uma cerveja sem álcool deve ser. Loira falsa, mas que convence.
Libertem a Damm!!!

xanax ASAP

A nossa rapariga continua uma calmaria e simpatia durante o dia.
Levo-a para todo o lado, está sempre na maior. Sorri para toda a gente.
Mas à noite... à noite transforma-se.
Deito-a depois de mamar. Adormece profundamente, mas acorda 40 minutos depois como se a estivessem a matar. Dou de mamar outra vez e adormece. Acorda outra vez e outra vez e outra vez (umas 6 vezes), sempre a mostrar a potência dos pulmões.
E percebê-la? Já está de estômago cheio. Não tem calor nem frio. Será que sonha que o Benfica não ganha outra vez o campeonato? Ou que a data da vacina se aproxima? Ou que lhe vou dar outra vez sopa?
Não sei, não sei. Eu queria saber, a sério.
Só perto da meia-noite é que cai em sono profundo. Depois acorda às 4:00, às 6:00 e às 8:00 para mamar.
Pontualidade britânica deveras irritante.
Sai um xanax versão baby ASAP.

Um aparte:
- paizinhos de primeira viagem que têm um bebé que dorme a noite toda: não sabem a sorte que têm.
Isso é o euromilhões. Aproveitem masé.
- paizinhos que têm mais do que um filho, sendo que desde cedo todos dormem a noite inteira: odeio-vos.

diálogos

Ao jantar, pergunto-lhe porque não come sozinho, já que na escola almoça tudo sozinho do princípio ao fim.
"Porque ao jantar estou muito cansado".

Ah bom...

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De manhã pergunto-lhe (como sempre) "então querido, dormiste bem?".
Ele: "Não, esta noite não dormi lá muito bem".

Anda a gozar com os pobres, claramente.

diálogos

É dia de natação.
Chegamos a casa e eu pergunto-lhe "queres ir brincar"?
Ele responde "não, primeiro tenho de ir tomar banho para tirar esta água da piscina".

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Brincamos "às portagens". Eu tenho de pagar para passar.
Ele: "Ó senhora, tem de pagar".
Eu: "Mas eu não tenho dinheiro, esqueci-me da carteira em casa".
Ele: "Não tem Via Verde"?

se maomé não vai à montanha, a montanha vai a maomé

Já não é a primeira vez que, não tendo quem me fique com a garota, agendo com o PT sádico treino cá em casa.
Ele lá vem, sádico e airoso como só ele. Cheio de energia e pronto para me fazer a vida negra.
Quem pense que treinar em casa é mais fácil... desengane-se. Até uivei.
Treino localizado com pesos, step e abdominais. Um mimo.
E a minha rapariga? Fica a ver, muito atenta. Às vezes começa a chorar com fome ou sono. Eu interrompo, dou de mamar e vou deitá-la.
Desta última vez recebi o PT sádico e como boa anfitriã que sou, ofereci-lhe uns bolinhos em miniatura que tinha cá em casa. Fui fulminada com os olhos. Uma pessoa tenta ser simpática e é assim.
A minha rapariga gosta do PT sádico. É uma espécie de tio. Pega nela ao colo quando ela choraminga.
Se eu choramingo, ele vinga-se e manda-me fazer mais abdominais.
Amanhã vamos correr para a marginal. Se avistarem uma pessoa a arrastar-se com um sargento a gritar, esse alguém sou eu.
Digam olá.
E salvem-me.

diálogos

Eu e batata-frita-pequena vamos lanchar à nossa pastelaria favorita. Ok, à minha pastelaria favorita...
Acabamos e eu digo-lhe "vá, pega na caixa das bolachas e no teu chapéu e vamos, vamos!".
Ele: "Mãe!! Só tenho duas mãos!!"

gajas...

A primeira coisa que as pessoas dizem ao ver a nossa rapariga é "tão gordinhaaa!".
Sim, ela é bochechuda e tem montes de refegos nas pernas e braços. É uma espécie de boneca michelin.
E isto faz-me pensar: esta é a única altura da vida em que é fofinho ser-se gordinha/o.
Para começar, as mulheres são as mais complexadas e lixadas umas para as outras (neste campeonato e noutros, mas isso agora dava pano para mangas ui ui).
Há dias comentava com o PT sádico que não gostava de determinada parte do meu corpo e que não tinha gostado de me ver nas fotografias das férias.
Depois desci à terra e pensei "minha croma, um dia vais ser velha com rugas e flácida e vais-te recordar do tempo em que eras rija e saudável e então vais achar que eras totó".
Ando a matar-me treinar há 4 meses e nem assim reconheço os meus progressos. Olho só para as falhas.
Gaja que é gaja nunca está contente com nada.
É cansativo ser gaja.

pais em modo cérebro em água

A mãe
Vou levar batata-frita-pequena à escola. Em modo zombie, passo a escola sem reparar.
Ele: Mãe... Enganaste-te no caminho...

--

O pai
Visto-o de manhã. Sei que tem ginástica, por isso ponho-lhe os calções por baixo das calças.
O pai leva-o à escola.
Chegados à sala, a educadora pergunta "então e os calções da ginástica, pai?". O pai desnorteado "o quê? Calções? Como assim? O quê? Como? Quando?".
Batata-frita-pequena intervém "pai... estão por baixo das calças...".

diálogos

Saímos à rua e está (finalmente) sol.

Eu (levemente histérica): Olha querido, está sol!
Batata-frita-pequena: Chegou a Primavera!!!

hoje

Hoje apetece-me fazer birra. Hoje o dia é meu.
E não vou finalizar com um "mas vale tanto a pena".
Escrevo aqui para não descarregar no resto do agregado familiar. Se bem que o meu cérebro hoje está tão danificado que acho que não teria energia para me chatear com nada. Hoje estou em piloto automático.
Foi uma noite animada. Tenho um recém-nascido outra vez em casa! Que acorda de 2 em 2 horas para mamar! Espetacular.
E depois quando, pelas 7:00 lhe dou de mamar e a deito pela 27554 vez, acorda o mais velho que implora que eu (e não o pai) o leve à escola. Ok, eu levo.
Vale a D. Amália que hoje está cá a limpar a casa. Rifo-lhe a minha rapariga e vou comprar café. Aproveito e tomo um também. Pergunta a senhora "quer um de intensidade 11 ou 12?".
"Há de 20?".
Faço uma pausa mais longa do que é suposto quando ela me pergunta se quero fechar a conta antes ou depois de tomar o café, que denuncia o lamentável estado em que a minha massa cinzenta se encontra.
Faço o resto das coisas que tenho para fazer em modo zombie e volto para casa.
E como hoje tenho a D. Amália para tomar conta da minha rapariga, vou deitar-me um bocadinho, mas como sempre, durante o dia não consigo dormir. Sai um xanax para todos!
Vou buscar batata-frita-pequena à escola e sorrio quando o vejo. Há uma cena qualquer quando o vou buscar à escola e bato os olhos nele, parece que tomo uma espécie de cápsula da felicidade. Isto é piroso mas é verdade.
Vamos lanchar e ele pergunta-me porque tenho os olhos cinzentos (olheiras) e eu respondo-lhe que é porque não dormi bem. Ele diz-me para eu beber leite à noite que aí vou dormir melhor de certeza.
E é assim, anseio fervorosamente pela minha noite. Não vale a pena pôr o pai de serviço, eu acordo na mesma. Por isso que se lixe que isto um dia há-de melhorar.


em modo "mexes o rabo ou levas"

Estava eu a comentar com o PT sádico o estado do tempo e como isso invalidava qualquer treino ao ar livre (e a imaginar-me a baldar-me e a mergulhar em scones com doce de tomate numa tarde chuvosa) quando ele me diz tem problema não. Cê vem no meu ginásio e a gentxi faiz o treino lá.
E é isto. Mexes o rabo ou levas.
Fui.

ter uma miúda

Eu já calculava isto, mas ter uma miúda é o suicídio da carteira.
Já tem pouca roupa a servir-lhe e a pouca que tem é de Verão.
Tem alguma emprestada, ainda assim faltam algumas coisas tais como vestidos (uma gaja precisa sempre de um ou outro vestido), collants, um casaco e uma ou outra touca.
E por isso lá vou eu ter de fazer o ENORME SACRIFÍCIO de ir às compras para ela.
Prometo controlar-me e ficar-me pelo que realmente falta. Mas dentro disto ainda posso divagar bastante.
Juro, os meus olhos até brilham.

ele e ela

Ele já não tem calças que lhe sirvam do ano passado. Todas curtas.
Adora a irmã de paixão. O ponto alto do dia para ele é, ao deitar, quando estão os dois na cama dele a ouvir uma história.
Anda em fase de negação com a sopa e não se importava de comer omeletes de fiambre todos os dias.
Noutro dia viu-me a sair para ir às compras e perguntou "Vais estourar dinheiro?".

Ela continua um texugo. Não, está ainda mais texugo.
Sempre bem-disposta. É raro chorar.
Não gosta de sopa. De papa assim assim. Continua a preferir a vaca leiteira.
Continua a acordar duas vezes por noite. Às vezes, com um bocadinho de sorte, acorda três.

pensamento do dia (a propósito das minhas noites espetaculares)

Se há coisa injusta na amamentação é calhar sempre a nós levantar à noite para dar de mamar. E ver OUTROS a roncar mesmo ao lado.
Já comentei com o meu homem que ando a ficar senil, que acordo sobressaltada a meio da noite, sem saber se dei ou não de mamar, se a pus na cama dela ou se a deixei na nossa. Sempre preocupada se rebolei para cima dela. 
Sim, estou a dar o tilt. De maneiras que vou comunicar ao macho mais velho cá de casa que vai entrar ele de turno, que eu quero roncar como ele.
Não tem mamas, mas tem leite congelado ou aptamil.
Fui.

os meus pintores são mais fofinhos que os teus

Ando pelo meio da mega nuvem de pó em que a minha casa está submersa.
Olho para o chão, que está coberto de lençóis trazidos pelos pintores e vejo isto.
Tão fofinhos os senhores das obras...

as birras

Ah as birras... Esses momentos espetaculares despoletados por cenas várias e que fazem inevitavelmente parte da nossa vida quando decidimos ter criancinhas.
Lembro-me de assistir a cenas, antes de ser mãe, e de ficar com muito medo. De achar que aquilo seria o meu fim, que horror, coitados dos pais e como é que eu um dia vou fazer quando acontecer comigo.
Cuspir para cima também acontece a toda a gente, é um clássico. E eu cuspi muitas vezes.
O meu mais velho não é dado a grandes neuroses. É fôfo, gozão, porta-se razoavelmente bem. Sim, é uma jóia de puto. Mas... quando se passa... passa-se.
Ontem de manhã não quis sair da cama. O pai tentou acordá-lo diversas vezes. Eu ainda estava no vale dos lençóis depois de uma noite do demo (cortesia da mais nova) e não dei por nada, a não ser quando me levantei e assisti à cena.
Então batata-frita-pequena ainda não estava com vontade de sair da cama e passou-se da marmita. Não queria vestir-se para ir para a escola, não queria comer, tudo com grande drama e choro e gritos. 
Quando me viu, embirrou que queria que eu lhe desse os cereais à boca (com o pai em stress atrasado para uma reunião e a querer sair de casa daí a 3 minutos; com a mais nova a acordar naquele momento e a querer mamar; e com os senhores das obras - obras em casa, don´t ask - a tocarem à campaínha). 
Fora de questão, disse-lhe que tinha de comer os cereais sozinho ou então levava o pacote de leite para beber pelo caminho.
Mais choro porque tirei eu a palhinha do plástico do pacote de leite e não podia ser eu, tinha de ser ele.
Por esta altura já eu estou a aquecer, já está o pai em ebulição.
Não comeu nada, foi para a escola a chorar. Drama, drama, drama.
À tarde fui buscá-lo à escola, ainda com a mente toldada pelo sentimento de culpa de não conseguir ser eu a despachá-lo de manhã.
Estava a brincar, feliz da vida.
Perguntei-lhe porque tinha feito aquela birra de manhã. "Porque queria ficar a dormir mais um bocadinho".
Expliquei-lhe que o problema estava em deitar-se tarde, que não podia ser.
Disse-me "mãe, amanhã não vou fazer birra". 
E não fez. Hoje acordou em modo certinho e assim foi para a escola. Como se nada se tivesse passado.
Ficam os cabelos brancos desta aqui e os neurónios queimados.
A brilhante conclusão é que, se queres filhos então hás-de ter birras. É inevitável.
Mas sobrevive-se. Com alguns cabelos brancos e neurónios queimados, vá.
E no fim o saldo é positivo sim senhora. Não é um cliché.
Ah, a maternidade...

diga bom dia com mokambo

A minha máquina de café foi passar férias comigo. Eu voltei, mas ela continua de férias. Esqueci-me dela lá.
E eu sem café fico a modos que... agressiva. 
Porque neste momento sou como uma vaca leiteira particular da minha criança, fico por um café por dia e um garoto. Mas quem me tira isto, tira um pedaço de mim.
Depois lembrei-me "acalma-te gaja! Tens uma dolce gusto em casa que nunca usas!". Então hoje fui buscar a melhor chávena e... e... não funcionaaaaa!!! (Bela porcaria de máquina, já agora. Já foi uma vez para arranjar e agora só porque tirou uma licença sabática não quer trabalhar mais)
Posto isto, voltei à moda antiga.
Mokambo e água quente.*

* Eu sou a senhora do lenço na cabeça e espanador na mão ahahah!!

pois, não saíste lá grande negociador...

Guerra ao jantar para comer a sopa.
De repente, pai e filho começam a negociação.

Filho: Não quero mais sopa!
Pai: Come só mais 6 colheres.
Filho: Duas!
Pai: Três!
Filho: Quatro!!

cabelos e dormir

Pois que eu sabia que isto ía ter um fim.
Eu, que nunca tive um cabelo pantene, já adivinhava que era sol de pouca dura. Que passados 3 ou 4 meses ía cair como se não houvesse amanhã e que ía voltar a ser a mesma seca de cabelo de antes.
O meu cabelo cai a toda a hora. Há cabelos em todo o lado. Na minha roupa, na minha cama, no chão da casa, no carro, na máquina da roupa, nas mãos da nossa rapariga (que adora fazer escalada no meu cabelo).
Pior, sei que não vai parar em breve. Pelo menos mais uns 2 ou 3 meses. É o que diz o Baby Center do Brásiu.
Falando no Baby Center, hoje não pude evitar uma gargalhada quando li na minha caixa de email:
"É verdade que menina dorme melhor que menino?".
Obviamente que não é verdade. Era bom, era.
"Nenhuma das pesquisas indicou que um sexo durma melhor que o outro".
Falando nessa coisa espetacular que é dormir, ontem eu e o meu homem comentávamos que quando batata-frita-pequena tinha 4 meses fomos de mini-férias. E que nessas mini-férias pela primeira vez ele dormiu 13 horas seguidas. E que daí em diante foi sempre dentro do género.
E a minha pergunta é: porque é que tu, batata-frita-baby, não aprendeste isto com o teu irmão?

diálogos

Em casa, preparo tudo para sairmos.
Ponho os óculos de sol e acabo de arrumar as coisas.

Batata-frita-pequena observa-me e diz: "Por acaso achas que está sol aqui dentro?".

4 meses

Eu não queria precipitar-me, mas parece ser da mesma casta que o irmão.
Vende sorrisos e é calminha.
É um bocadinho bipolar no toca ao sono. No início deu noites do além. Pelos 2 meses fez bastantes noites de 8 ou 9 horas seguidas (e eu já sentia o meu cérebro a voltar ao normal). Entretanto lembrou-se que é fixe acordar outra vez durante a noite: pelo menos duas vezes. Ando KO.
Continua a ser a miss bochechas e refegos.
Desde o meio do Verão que começou a mamar com muito pouco tempo de intervalo e é, digamos, cansativo. A amamentação que eu já tratava por "tu" começa a esgotar-me.
Palra e mexe e remexe. Às vezes dorme de lado. Adoro. Parece pose de revista.
"Descobriu" o irmão e o pai. Adora observá-los. E, se por acaso um deles cruza o olhar com ela, ensaia o seu melhor sorriso.
Este ano tivemos as melhores férias de sempre.
Foram cansativas, mas muito compensadoras. As minhas expectativas eram baixas. O que esperar de umas férias com um bebé de poucos meses?
Tudo! Correu tudo sobre rodas.
Se antes de ela nascer as férias eram boas, agora são completas.

hoje

Ontem adormeci a más horas.
Acordo às 2:00 porque ela quer mamar.
Acordo às 4:00, com batata-frita-pequena a chamar aos gritos MÃEE MÃEEEEE!!!
Fui a correr "o que foi, o que foi??" e a personagem responde "dá-me uma fralda". E foi isto. Voltei para a cama a dizer mal da vida.
Acordo às 6:00 porque ela quer mamar.
Acordo às 8:00 porque o despertador toca e porque é dia de vacina dela.
Engulo uma espécie de pequeno-almoço, acordo-a, dou de mamar outra vez e levo-a para o centro de saúde.
Ninguém chama pelo nome dela, por isso vou falar com a enfermeira que me diz "ela estava marcada para as 9:10". "Desculpe, mas aqui na folha diz 9:50, quer ver?". Então abro a folha e vejo 9:10.
Faço um sorriso amarelo e peço desculpa.
Depois da vacina levo-a para casa e deito-a. Ela dorme duas horas. Eu deito-me na minha cama, fecho os olhos e penso "ah que fixe. Vou dormir". Viro-me para um lado, viro-me para o outro.
Não consigo dormir. E então invejo-a no seu sono profundo. A ela e ao senhor meu marido que adormece sempre em 30 segundos.

em modo "mexes o rabo ou levas"

As férias são um excelente pretexto para baldanço ao treino, é um facto.
É aquela altura do ano em que se pode ser preguiçosa sem, no entanto, passar por tal.
Uma pessoa bem que quer ser certinha e fazer exercício, mas as férias... o que é que se há-de fazer?! Tooooda a gente sabe que durante as férias é dificílimo treinar, está fora de questão, pois.
Adiante, como se não bastasse não andar a treinar, também emborquei bolas de berlim, gelados e outras coisas espetacularmente gordurosas e calóricas.
Nem subi à balança, tal é o medo. Apesar de tanta balda, pensei sempre "quando voltares vais dar o litro, vais sofrer, vais vais".
E hoje lá voltei.
Tenho a certeza que o PT sádico preparou tudo ao pormenor para o sofrimento desta aqui.
Toda eu suei e tremi. Foi uma odisseia de dor.
Como se não bastasse, ainda passou uma avozinha por nós (treino sempre ao ar livre) a rir e a parar para observar. A minha vontade era obrigá-la a fazer o mesmo que eu, mas enfim, concentrei-me e fiz como quando se faz um discurso para uma plateia. Não, não imaginei ninguém nu. Foquei-me num ponto qualquer e continuei.
É assim. Segundo o querido PT, amanhã não me vou mexer. Disse-me isto a sorrir.
Mal posso esperar.

diálogos das férias

"Mãe, sabias que as laranjas vêm da lanjaria?".

--

Peço-lhe para se agarrar ao corrimão para descer umas escadas.
Ele, com ar condescendente: "Mãe... já sou muito crescido para isso".

--

Prestes a ir de férias, acabamos de carregar o carro com a casa tralha toda.
Por último, pomos o ovo com a irmã no carro.
Ele: "E quem é que me põe a mim na cadeira?".
Nós: ...
Ele: "Estou à esperaaaaa!".

as férias

Ela está cada vez mais gorda e comprida. Mama muito mais vezes por causa do calor.
Ele está mais magrinho. Não pára quieto.
Ela olha para ele e ri das palhaçadas que ele faz.
Ele vibrou quando molhei as pernas da irmã na piscina.
Se alguém se aproxima não desampara a loja. Fica a guardar o tesouro.
Ela cresceu nas suas habilidades. Aprendeu a virar-se de barriga para baixo. Palra muito. Aprendeu a gritar (yay...).
Ele ficou expert em mergulhos e, acompanhado de amigos e primos, não nos ligou nenhuma.

Agosto era suposto ser um mês sossegado, mas fartámo-nos de passear para norte e para sul.
A logística de viajar com um bebé é uma ginástica. Dispenso fazer malas. Mas, ao segundo filho e com uma bagageira que não dá para muito, chego à conclusão que o melhor é viajar com o mínimo.
O saldo é imensamente positivo, apesar de estar a precisar de férias das férias.
E o que importa, no fundo, é um dia olhar para trás, para as fotografias. São as memórias que ficam.
Isto se sobreviver algum neurónio :D

ai a crueldade infantil...

Ao ver batata-frita-pai a preparar-se para ir correr na passadeira, filho querido diz:
Vais correr para perder a barriga, pai?

férias outra vez

Desta vez - está bem que são poucos dias - arrisco levar apenas o essencial.
Não vou levar a casa às costas e para ela levo um pequeno (é mesmo pequeno) montinho de roupa fresquinha e fraldas. Para ele a mala pequena habitual (um viva aos 3 anos, a idade descomplicada).
Para mim, o essencial do essencial. Para batata-frita-pai... ele faz a mala dele, que eu já tenho sarna suficiente para me coçar.
Era mesmo bom que a nossa rapariga caísse na cama à noite para só acordar de manhã.
Tooodas as noites faz uma espécie de luta livre para adormecer. Luta com a chucha, com a fralda, com ela própria e com alguém que se aproxime. Dá medo, juro. Fica mais ou menos uma hora nisto. Quando é que se vai convencer que dormir é uma coisa espetacular?
Enfim, será uma festa, por certo, os quatro num quarto de hotel.
Então, até ao nosso regresso.

em modo "mexes o rabo ou levas"

Ontem a ordem era "uma hora de treino de corrida".
Eu gosto de correr, por isso estava com fé. Tinha quase a certeza que algures nessa hora ía atirar-me pelo menos uma vez ao chão (ou à relva) e assim foi... três vezes.
Que looser. Ando a treinar há 3 meses e não aguento uma boa corrida. Tudo bem que o que eu faço é acima de tudo treino localizado, mas esperava ter mais resistência.
Durante essa hora corri alternando com marcha. E sei que corri porque o PT sádico não me deixou parar. Eta homem resistentxi!
Gostava de ser mais competitiva e menos queixinhas. Nunca dar o braço a torcer e correr para além do limite. Mas sou uma nódoa da corrida, está visto.
Resta-me dar corda aos sapatos mais vezes, que eu quero ser uma cota enxuta. Quero, aos 60 anos, correr com os meus filhos. De calção e top justinhos :D

sabes que tens um filho ditador quando...

... ao ver-te comer um cornetto, planta-se ao pé de ti e diz-te para comeres a parte do gelado porque quer o cone para ele.

noites brancas

Ando a ter noites regadas a insónias.
Não é só por causa da minha rapariga, que voltou a acordar uma vez durante a noite. Sou mesmo eu, que quando acordo para dar de mamar, depois não consigo voltar a adormecer.
Ela adormece logo toda esticada de braços abertos.
Eu fico a olhar para ela e a dar voltas na cama. E a tentar adormecer. E a contar carneirinhos.
Cereja no topo do bolo: acordar de manhã depois de uma noite assim, atirar-me à gaveta das cápsulas de café e perceber que só há descafeinado.
Está certo.

eles

Ela começou a dar gargalhadas. Incrível a injecção de amor só por ouvir um filho a rir pela primeira vez.
Ele fica enciumado quando vê outras pessoas de volta da irmã. Quer tomar conta dela, nem pensar em ter alguém a meter-se.
Ela está uma bucha. Doem-me as costas todos os dias.
Ele às vezes diz-me "és linda" e dá-me um beijo na mão.
Ela não gosta de apertanços. Dispensa o sling ou o marsúpio ou andar no carrinho. Nem tão pouco gosta de andar ao colo. O que ela gosta mesmo é que a deitem numa superfície plana para se esticar e ficar a olhar à volta.
Ele noutro dia viu-me a vestir para sairmos, piscou-me o olho e disse "vestido novo?".
Ela adora espreguiçar-se. Estica os braços e as pernas e espreguiça-se como os gatos.
Ele adora que o vá buscar à escola com a irmã.

Adoro de paixão o meu casalinho piroso. 

diálogos

Batata-frita-baby chora.
Batata-frita-pequena: "O que é que a mana tem?".
Eu: "Não sei. Se calhar está com os azeites".
Ele: "Ou se calhar está com os copos".

nós

Fomos de férias. As primeiras férias a quatro. Com outros tantos amigos e crianças.

Ela
Está enorme, não sei onde vai parar assim. Já não tem mais espaço para bochechas. Os olhos estão mais azuis e grandes. Acordava durante a noite uma ou duas vezes para mamar. Deu as primeiras gargalhadas, graças à palhaça de serviço: moi! Continua a sorrir por tudo e por nada. Experimentou a maresia à sombra do chapéu.

Ele
Deu grandes mergulhos. Ficava KO ao final do dia. Ao contrário da irmã, acho que veio mais magrinho, por causa dos mergulhos e dos almoços leves. Está com um bronze de (me) meter inveja. Andava sempre num mega excitex por causa dos amigos e brincadeiras.

Eu
Preciso de férias das férias.

em modo "mexes o rabo ou levas"

No treino de hoje.

PT sádico: "Hoje cê vai fazê um exercício que cê gosta!".
Eu: "Gosto? Eu gostar, gosto é de chocolate".

Ele não achou lá muita piada à minha resposta.
Já percebi que falar com o PT sádico de chocolates, gelados e cenas gordurosas é como pisar terreno minado.
Só por causa disso vou comer um magnum after dinner, pronto.

pára tudo

Pára tudo!
Estou em estado catatónico e incrédulo.
A nossa rapariga dormiu quase 9 horas seguidas em duas noites nesta semana. Sem interrupções.
Juro que quando vi o relógio não acreditei logo. Ainda dei voltas aos neurónios a ver se me lembrava de ter acordado a meio da noite para dar de mamar (uma gaja liga o piloto automático e pode acontecer não se lembrar, sei lá), mas não. Ela não acordou. Deixou-me dormir.
Esta noite não tive tanta sorte. Voltou a acordar uma vez.
Nada mau, para 2 meses e meio.
Estamos no bom caminho.
E os meus neurónios agradecem.

em modo "mexes o rabo ou levas"

Eu sei que sou muito queixinhas e assim, mas juro que o PT sádico na última aula foi mesmo agressivo.
Disse-me ele que ía ser um treino duro e que passadas 48 horas eu ainda iria estar a queimar gordura.
Queimar gordura não sei, mas canto ópera de cada vez que me mexo.
Xiliques aparte, estou muito contente com os resultados. Se soubesse o que sei hoje, tinha-me virado para as aulas particulares no primeiro pós-parto. É que aulas em grupo são giras, mas a malta aldraba sempre um bocado.
Fico com a língua de fora, pois fico. É duro, é. É preciso força de vontade, sim.
Mas compensa.
E uma gaja fica incrivelmente feliz.

diálogos

De manhã, batata-frita-pequena aparece na nossa cama.
A irmã acorda e começa a estrebuchar.
Batata-frita-pequena: "O que é que a mana quer?"
Eu: "Tem fome".
Batata-frita-pequena: "Se calhar quer Chocapic".

é pra malhar, é pra doer!

Hoje, em mais uma aula de pura violência desportista, comentei por acaso com o PT sádico que ando com uma dor nas costas, por causa do trabalho em frente ao computador.
Nisto, ele põe as mãozinhas em cima dos meus ombros e desata numa porrada massagem nas minhas ricas costas.
Eu implorei "ai ai que está a doer", mas ele respondeu "tem qui sê assim, com força meismo!".
Ía morrendo.
Quando percebi que a raça do homem não percebeu que eu estava prestes a quinar de dor, disse "ai que já está muito melhor, obrigada!" e continuei com o resto dos abdominais.
Acho que nunca quis tanto voltar à labuta.

ele

Há uns tempos perguntava eu onde tinha ido o meu rico filho. O que eu tinha em casa era o Demo. Birras, uma luta constante para fazer o que queríamos, medição de forças, eu sei lá.
Mas, parece que o Demo foi baixar noutra casa e tenho o meu fôfo outra vez para mim.
A adaptação à irmã não foi fácil. Sempre se derreteu com ela, mas nós é que pagámos a conta. Agora que já nos habituámos uns aos outros enquanto núcleo de quatro, parece tudo menos complicado. Ele voltou a ser o meu menino de mel. Claro que tem achaques de vez em quando, mas noto que as birras diminuíram em quantidade e qualidade.
Desenvolvi um ciúme por causa da relação dele com o pai. São gajos e entendem-se naturalmente, mas é uma cumplicidade crescente e esta aqui fica a assistir de fora.
Está alto, tem pés grandes, está moreno da praia e os olhos verdes brilham mais no Verão.
Noto que perdeu os medos de bebé. Atira-se para a piscina em grandes mergulhos, está constantemente com nódoas negras e feridas nos joelhos e pernas, anda um radical numa série de coisas.
Brinca com os primos e amigos e já não vem ter tantas vezes comigo a choramingar.
Está crescido, independente.
Quando me vê com os azeites, vem ter comigo e dá-me um beijinho na mão.
É uma gralha autêntica, não se cala. Mas mais connosco, porque com outras pessoas, num primeiro contacto, continua tímido.
Percebe tudo o que dizemos, mesmo quando é em código, por isso resta-nos comunicar em inglês.
Quando começar a perceber-nos o inglês, resta-nos aprender, sei lá, mandarim.

ela

Para mim é estranho ter um bebé com refegos, que veste tamanhos acima do tempo que tem.
Nasceu pequenina e magricelas como o irmão, alimenta-se na mesma fonte e mesmo assim teve um aumento de peso brutal. Aos 2 meses chegou aos 5680 Kg.
Não adormece com facilidade e normalmente acorda duas vezes durante a noite, mas a gente chega lá...
Toda a gente diz que é a cara do irmão e eu confirmo. São fotocópias.
Mal abre os olhos de manhã, ri-se para mim. Está constantemente a sorrir, é uma fácil.
Ultimamente deito-a na cama do irmão à noite e conto-lhes duas ou três histórias. Ele trata-a com mil cuidados, dá-lhe a mão e beijinhos. Ela fica num excitex total e... sorri, pois claro. Provavelmente por causa da minha voz à totó a contar histórias.
As cólicas já foram naquela estrada para nunca mais voltar (espero) e agora temos noites mais calmas. Já não se queixa de dores.
Resumindo, está fina e fresca. E linda ♥.

diálogos

Fim-de-semana.
Preparo-me para sairmos.
Batata-frita-pequena olha para mim e diz: "Vais assim para a rua?"

em modo "mexes o rabo ou levas"

No último treino tive a grande ideia de comentar com o PT sádico que gosto de exercícios cardio.
Ai gostas? Então hoje toma lá umas quantas sequências para ficares com a língua de fora. Até vais uivar.
Ai gente, ía-me dando uma coisa e estava quase a atirar-me para o chão quando ele de repente me disse algo (provavelmente porque deve ter percebido que eu estava prestes a pirar-me).
"Cê é a minha primeira clientxi que não passa mal. Tem a tensão boa, não vacila. E teve bebê faiz doiz mêizis. Cê é muito resistentxi".
Fogo, uma pessoa ouve isto e até fica com outro alento. Resistente, eu?
Lá fiz o sprint com mais dedicação. Ía morrendo, mas pronto, tentei disfarçar, depois daquele elogio!
E é assim, cá caminhamos para a tonificação. As pernas andam com outro aspecto, mais jeitosas.
A barriga podia estar melhor, mas enfim, lá chegaremos.

quando te armas em mirone

Noutro dia armei-me em mirone e fui cuscar o meu filho na praia (sou tão triste, eu sei).
Sim, ele tem ido para a praia pela escola e eu fui basicamente... cuscar.
Tarefa nada cumprida e inglória: identificá-lo no meio dos chapéus azuis. Eu já devia saber que era escusado tentar perceber qual deles era, se nem no recreio da escola eu percebo...
E pelos calções de banho? Também não. Foi o pai que o vestiu de manhã, não o vi antes dele sair de casa.
Identifiquei o grupo, mas mantive-me sempre ao longe, conforme as instruções da educadora, que eu sou uma pessoa cumpridora e bem mandada.
Estive especada em pé a tentar perceber tudo o que faziam (tristeeeee) e só fui à minha vida (que é como quem diz, dar um mergulho e apanhar sol) quando se foram embora em filinha indiana. Fôfos.
Valeu o dia que estava espetacular, valeu o meu mergulho e as 3 horas de sol entregue a mim mesma.


dele

Batata-frita-baby estrebucha na alcofa.
Batata-frita-pequena olha para mim e diz "não ouves a tua filha a chorar?".

--

Sai da piscina, senta-se ao sol e passado dois minutos diz "Pronto, já estou secado".

--

Pede-me para ir à casa-de-banho num restaurante para... bem... para tratar da vida dele.
Sento-o na sanita e espero.
Uma senhora bate à porta, quer entrar.
Ele: "Diz-lhe que vou demorar".

até fico com lágrimas nos olhos pá

Hoje vesti a saia mais justa que tenho e não ficou presa no rabo. Serviu.
Agradecimentos: à amamentação, ao PT sádico e à virose que me virou do avesso a semana passada (foi uma semana tão loooonga).

A minha rapariga acordou uma, UMA vez durante esta noite. Mamou e adormeceu logo sem estrebuchar, como é hábito. Até bati mal.

Amanhã vou pisar areia. Não é areia do parque infantil. É da praia. Ai que emoçón.

adeus Tony

Noutro dia, ao vêr uma cena do último episódio da 3ª temporada da The Good Wife, lembrei-me d´ Os Sopranos (para mim, a Julianna Margulies, que participou em alguns episódios como amante do Tony, será sempre a Julianna do Tony Soprano).
A cena que me trouxe a nostalgia foi aquela em que a Alicia encontra o Will e o Peter no elevador e, depois, num silêncio a oscilar entre o incómodo e o estranho ficam os três na entrada da Lockhart & Gardner a quem se junta o Eli e a Kalinda.
Para mim foi uma cena muito boa (eu gosto muito desta série) e remeteu-me logo para os longos episódios d´ Os Sopranos. Os episódios eram enormes, mas eu via 3 ou 4 pela noite dentro (quando ainda tinha vida para passar a noite acordada nestas coisas).
Eram geniais, o David Chase (o criador dos Sopranos) nunca me desiludiu e levou-me a adorar e a escolher esta série como minha preferida de todo o sempre.
Igualmente genial foi o final da série que deixou toda a gente de boca aberta.
Hoje li que o James Gandolfini morreu aos 51 anos (!).
Toca a todos, eu sei, mas quanto mais tarde melhor, caneco. Ele era tão novo.
Adeus Tony.

em modo "mexes o rabo ou levas"

Um dia escrevi assim.
E ontem foi o dia em que também eu treinei à chuva. Prooooonto, foi só uma nuvenzinha que passou e largou uma chuvinha por alguns minutos. Ainda assim, agora também já posso dizer que faço exercício à chuva ah!
Em relação ao resto, cá continuamos com a raça do PT cada vez mais sádico, mas que no fundo é uma jóia de moço. Obriga-me a mexer como ninguém Vamu lá minina vamu vamu vamu rápido rápido eu disse MAIZZ RÁPIDO!!! (eu avisei que ele era sádico)
Estou contente porque de repente parece que aumentei a minha resistência física.
Não é fácil andar a dormir pouco e ir malhar como se não houvesse amanhã, mas curiosamente é algo que me dá ainda mais energia. Sim, às vezes apetece-me esganá-lo, mas ele no fundo está tão interessado no meu bom progresso, tanto como eu.
Já fui avisada que está em marcha um plano de treino que inclui a minha rapariga no carrinho dela que basicamente consiste em ir para a mata de Benfica (também conhecida por Monte Evereste) e aproveitar o carrinho e o respectivo peso para malhar até mais não.
Por falar em andar com o peso do carrinho - e da minha rapariga - atrás. Alguém anda a tratar-se muito bem. Alguém, em 3 semanas aumentou uns modestos 1,5 Kg e alguém anda a vestir roupa para 3 meses ou mais.
Por mim pode continuar assim. Ela a ganhar e eu a perder.

é o fundo do poço quando...

... à noite, deitas o teu bebé e rezas assim baixinho: por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas por favor dorme 5 horas seguidas.

bebés e vibradores

Lembro-me de adorar um episódio do Sexo e a Cidade em que a Samantha fica a tomar conta do bebé da Miranda (a minha personagem favorita) para esta ir cortar o cabelo.
A vibração da espreguiçadeira onde ele estava deitado avaria e o miúdo desata num berreiro. Então a Samantha resolve a cena como apenas ela poderia resolver. Põe um vibrador ao lado do bebé e plim, milagre, ele cala-se.
Temos um baloiço cá em casa com espreguiçadeira. Ai não sei quê que grande mono e isso ocupa tanto espaço e é caríssimo. Sim sim, mas é a nossa salvação. É certinho que quando a rapariga está impertinente é pô-la lá e ela cala-se logo, muitas vezes passa pelas brasas.
Ora, o baloiço tem vibração. Claro que eu. mente perversa, acho muito mais piada dizer que aquilo tem um vibrador.
Mente mais perversa ainda: noutro dia, tirei-lhe uma foto a dormir no baloiço e enviei o seguinte mms ao pai: "ela gosta do vibrador".

E só por causa das coisas, escrevo este post enquanto ela está ali no baloiço, com o vibrador, claro está.

ter um bebé

Antes de ter outro bebé, jurava a pés juntos que achava muito mais fascinante uma criança falante, que os bebés eram fofinhos, mas que era muito melhor quando já falavam e andavam.
Estava enganada.
Continua a ser bestial ter um filho que fala connosco e que já é muito independente, mas já não me lembrava como também é bom ter um bebé. Que ainda não fala (nem faz birras!!), mas que cheira bem, tem bochechas e pés apetitosos. Que é espetacular quando sorriem pela primeira vez e quando seguem a mãe com o olhar. Quando percebem perfeitamente que a mãe está por perto por causa da voz, dos barulhinhos que fazem quando estão aninhados no nosso colo e de como é bom quando a amamentação corre bem.
Sim, também tem coisas menos fofinhas, tais como acordar 2745 vezes por noite, levar com um esguicho de xixi ou cocó na mão, cólicas que não deixam dormir e que nos deixam nervosos e uma logística a que já não estávamos habituados.
Mas o filho nº 2 vem com um bónus: o bónus da serenidade. Já não stressamos com o desconhecido, simplificamos o complicado e temos amor que se multiplica.

Por falar em acordar à noite 2745 vezes, até tenho medo de falar, mas a coisa parece estar a compor-se.
A nossa rapariga tem vindo a aumentar as horas de sono. Esta noite dormiu 5 horas seguidas. Chiuuuuuuu! Eu não disse nada!! Que ainda pode correr mal...


em modo "mexes o rabo ou levas"

Isto de andar com o PT a treinar ao ar livre é do melhor.
Já andámos pela mata de Benfica e pelo Jamor.
Na mata de Benfica ía morrendo com as subidas e as descidas (eu não me lembrava que aquilo parecia o Evereste) e o sádico do PT obrigou-me a subir e a descer montanhas vertiginosas com um peso de 6 Kgs, a  fazer agachamentos e aos pulinhos.
Juro que pensei que ía desta para melhor.
Pelo meio encontrámos um casalinho que é presença assídua na mata de Benfica e que me fez corar até às orelhas. É um casalinho de 70 (ele) e 60 (ela) anos. Estão preparados para o que vos vou contar?
Eles correm TODOS OS DIAS. Têm altos corpinhos (lancei faíscas pelos olhos à senhora) e correm 10 km à vontadinha. Uma inspiração!
De cada vez que passavam por nós a correr, deixava de me chorar e treinava alegremente na esperança de um dia ser assim.
Na semana que vem vou treinar 3 vezes por semana, ainda não sei como, que isto de ser a vaca leiteira pessoal da minha rapariga condiciona as minhas saídas, mas hei-de arranjar forma. Caso contrário acho que o sádico do PT ainda me vem buscar a casa pela orelha.
Medo.

cenário de todos os dias

Uma noite em que se acorda cinco vezes.
Numa das vezes temos direito a 3 horas sem dormir.
Quando finalmente se adormece a criança, aparece a outra aos pinotes na cama e a dizer BOM DIAAAA!!

Era um xanax para toda a gente se faz favor.
Para mim não, que não é necessário.

quando ainda não estás habituada ao nº 4

Família batata-frita vai a casa de uns amigos.
Ponho batata-frita-baby, que dorme que nem uma sonsa (sonsa porque de dia dorme como o caraças, à noite tá quieto) no quarto ao lado por causa do chiqueiro que os mais novos fazem na sala, onde estamos todos.
No fim da visita, agarro nos casacos e na criança mais velha, olho para o meu homem e digo "temos tudo, não temos? Vamos".
Com ar divertido/chocado, os amigos dizem "falta-te uma coisa!!!".
"Ah! A minha filha!".

em modo "mexes o rabo ou levas"

Não bastava andar a bater com a cabeça nas paredes (cortesia da minha rapariga que continua a acordar de 2 em 2 horas à noite, ui, maravilha), agora meti-me numa cena que há muito planeava. Tenho um personal trainer só para mim. Sim, daqueles dos reality shows, que andam connosco a programar-nos o exercício ao milímetro.
Para mim a intenção de fazer exercício está sempre presente, mas daí a mexer o rabo vai uma grande diferença. Entre andar a pagar ginásio ao qual eu não vou e pagar um bocadinho mais para ter alguém que me obriga a mexer, ganha o segundo, que se lixe.
Tudo para a tonificação desejada. Os kilos já se foram quase todos (também cortesia da minha cria mais nova), a missão agora é tonificaaaaar!
Mas, começo a encontrar algumas desvantagens em ter um PT só meu. Por exemplo, numa aula conjunta, uma pessoa (tipo, eu) aldraba sempre qualquer coisa. Ou quando estou cansada, ou quando o professor não está a ver. Tiro sempre uns segundinhos para respirar daquela estafa.
Mas com um PT... qual quê! Trabalhas ou levas!
Coméquié minina! Um, doizz, treizz, maizzz rápiduuuuu!!! Vai vai vai minina!!!
Dá para perceber que o gajo é brasileiro. E sádico.
Esta aqui anda que não se aguenta. Entre andar a bocejar o dia inteiro e com esgares de dor pelo corpinho todo, ando numa bela figurinha.
Mas... me aguardem!

o que eu mais gosto neles

Ele
O seu sentido de humor. Tão pequeno e já nos mete a um canto.
A doçura. É doce doce.
O sorriso envergonhado.
As mãos grandes de menino.
A nossa cumplicidade. Desculpa pai, mas eu sou a nº 1.

Ela
As bochechas e os refegos. Eu ainda não tinha tido um bebé com refegos!
O facto de quase nunca chorar e só reclamar. Típico de gaja.
Os olhões azuis mega abertos quando está desperta.
O cheiro. Ai o cheiro de um recém-nascido.

só para ti, mimosa

Para a vaca mimosa do acto 2: estou a usá-lo hoje.
Vai mugir longe!

diálogos*

Eu no computador (e armada em esperta), pergunto-lhe: Precisas de alguma coisa do continente online?
Batata-frita-pequena: Não. Preciso é de ir brincar para o Parque. Despacha-te.

*apesar das birras e de esticar a corda a toda a hora, valem a pena os 3 anos com estas pérolas 

era um xanax versão toddlers se faz favor

Alguém me dê dicas infalíveis para eu por batata-frita-pequena a fazer a sesta.
Já fiz de tudo. Já me vendi, já o subornei, já o obriguei, mas o gajo não quer.

mais dele para registar

Eu: Tu tiras-me do sério!!!
Ele, à noite, já na cama: Mãe, hoje atirei ao sério?

--

Eu: Estás gordo, já quase não posso contigo ao colo! Quanto será que já pesas?
Ele: Eu peso 5 minutos.

--

A prima é uma fôfa e adora fazer cafuné em toda a gente. Aproxima-se de batata-frita-pequena e começa a afagar-lhe o cabelo.
Ele: Não me despenteies! Fui ao cabeleireiro (e tinha mesmo ido, cortar o cabelo).

e vão dois

Um dia, estava eu grávida há 5 minutos da nossa rapariga (não era há 5 minutos ok? Mas era de poucas semanas), fomos a um jantar e ficámos à frente de um casal que tinha acabado de ter o segundo filho.
Eles não sabiam que estávamos grávidos mas pareciam bruxos.
Basicamente disseram que a vida tinha acabado, que com um filho é o descanso e com dois é o fim, o caos, a desgraça. Que era o voltar às fraldas, que ninguém dormia e que ainda havia o primeiro filho para cuidar e que mais valia ficarmos quietinhos só com um.
Olhei para o meu homem e pensei "caneco, onde é que eu me fui meter que isto agora já não dá para devolver".
Hoje, mãe de dois há quase um mês vos digo: eles tinham razão!!!
Quer dizer, numas coisas penso que sim, noutras acho que depende de muitos factores.
É verdade que uma pessoa anda a bater com a cabeça nas paredes com as noites mal dormidas (e as minhas são, definitivamente, mal dormidas). Uma pessoa acaba de adormecer a mais nova e aparece o mais velho aos saltos na nossa cama a dizer JÁ ESTÁ DE DIAAAAAA!!!! Uma pessoa tem de gerir birras do mais velho, dar de mamar à mais nova, lidar com as hormonas malucas e mais não sei quê. Uma pessoa basicamente anda um trapo.
Mas, é altamente o cheirinho de um recém-nascido. É bom vermos o mais velho a dar beijinhos e festinhas na irmã. É bom ter dois amores destes.
No primeiro tudo é novidade. O medo é maior. O stress, as dúvidas. Vem tudo junto. É uma avalanche.
No segundo já sabemos como funciona. O verdadeiro desafio não é cuidar do bebé. É gerir tudo. Gerir sentimentos, birras, chamadas de atenção. É uma estafa, basicamente.
Uma coisa é verdade. Tudo passa. As noites um dia serão melhores. O mais velho adaptar-se-á.
Estes desafios irão transformar-se noutros.
É uma roda-viva.

mais diálogos (mesmo agora)

Batata-frita-pequena vê o Madagáscar.
São horas de ir deitar.
Está-se a marimbar para esse facto (nada de novo).
Eu digo-lhe "está na hora de ir lavar os dentes e ir para a cama".
Ele responde "vamos combinar uma coisa. Dá-me 10 minutos".

(e a continuação na página do FB)

diálogos

"Mãe, quero mais uma mana".

Oi??

infacalma-te

Não passei por isto no primeiro filho, mas estou agora a ver como elas mordem no segundo e é verdade que as cólicas são uma seca.
Eles sofrem. Nós sofremos.
MAS, pessoas que me lêem, diz que há salvação.
Eu ainda não ponho as minhas mãos no fogo, pois ainda estamos em fase de testes, mas espero que o infacalm nos salve a vida (e a sanidade mental).
O infacalm, outrora infacol da terra longínqua, está agora entre nós, numa farmácia perto de si.
Parece que um laboratório português trouxe o infacol sob o nome de infacalm para Portugal.
Para quem não sabe, o infacol era um medicamento muito procurado, mas não vendido em Portugal. Muito boa gente mandava vir de Inglaterra.
Por isso, primeiro aconselhem-se com o pediatra e depois infacalmem-se.
Ah, e boa sorte. Para toda a comunidade das mães de bebés com cólicas, eu - infelizmente - incluída.

diálogos (ou ordens para acatar)

Batata-frita-baby estrebucha na alcofa.
Batata-frita-pequena diz-me: "Vai dar de mamar à tua filha que ela está a chorar ".

decisões masoquistas

Qual é a coisa mais masoquista que se pode fazer depois de uma noite em branco (cortesia da minha querida filha)?
É ir à depilação.

deles

dele:
- Faz uma asneira qualquer, vira-se para mim e diz "catastrophe!!" (esta é só para quem vê o Gaspar e Lisa...). Juro. De ir às lágrimas...
- Viu-me, aqui há uns dias, com um ar acabadíssimo e deu-me um beijinho na mão 

dela:
- Mas quem é que disse que os meninos é que projectam grandes mijadelas para cima de quem muda a fralda? Nunca, jamé em tempo algum, o meu crianço me fez o que esta rapariga me faz. Quase todas as vezes que lhe mudo a fralda é mijadela tipo chafariz.
- Acha que é fixe mamar de 1 em 1 hora. Então à noite ui ui. Parece que é mais fixe ainda.

polícia de trânsito

No carro ele diz-me: Ouve lá mãe, porque passaste tão rápido no sinal amarelo?!?

nós

Eu
Fico em êxtase quando consigo dormir 3 horas seguidas.
Fiquei espantada com o meu pós-parto em tempo record (estou com fogo no rabo para recomeçar as corridas).
Ando feliz com a nova cria. Gosto muito mais dela agora cá fora.
Deparei-me com uma realidade nunca antes conseguida: estamos a dominar a amamentação.
Não sinto o medo da primeira vez. Acho que é verdade que ao segundo filho a malta fica mais calma.
Eu e ela temos uma sintonia, é difícil explicar.

Ela
Tem uma vida jeitosa. Dorme o dia tooooodo, mas adora rambóia no início da noite. Acalma-se aí pelas 4:00 e depois dorme dorme dorme. Isto seria bom se eu não tivesse outra criança a acordar às 8:00.
É rapariga de alimento. Nos primeiros 7 dias ganhou 300 gramas. Perguntou o pediatra depois de a pesar "Diga lá qual é o restaurante onde ela vai".
É muitíssimo boneca. Nasceu pequenina mas com tudo no sítio.

Ele
Adora-a de paixão. É beijinhos, festinhas a toda a hora. Adora ver o banho dela e deixo-o participar na medida do possível.
Mas connosco... estica a corda para tudo. Para lavar os dentes, para ir dormir, para vir para a mesa comer, para se vestir, para TUDO. É uma ginástica mental do caraças, ter de lidar com isto sem nos passarmos. Ainda mais com o festival hormonal que vai para aqui para dentro de mim.
Ultimamente tem estado melhor, mas ainda assim continua a fazer muita birra.

diálogos

Eu: Querido, andas triste? Sentes que a mãe e o pai não te dão atenção?
Ele: (suspiro) Não mãe... Eu não tenho ciúmes da mana...

num belo dia de Maio

E num belo dia de Maio entrei em trabalho de parto.
Foi o trabalho de parto mais rápido da história e foi o parto que todas queremos. Fácil, num tirinho, sem dor mas a sentir tudo o que estava a acontecer. Juro que não podia pedir mais nada.
Ela é uma boneca, perfeita perfeita. Pequenina, tal como o irmão. São fotocópias. Nasceram com o mesmo peso e comprimento. Olho para as fotos de um e de outro dos primeiros dias e parecem gémeos. Vê-se que vieram da mesma fábrica.
Para já come e dorme, mas suspeito que todos os recém-nascidos são assim nos primeiros dias de vida.
Quando nasceu, formou-se literalmente uma aura mágica à nossa volta. Olhei para ela, cheirei-a, abracei-a e disse-lhe "olá, finalmente".
O irmão adora-a de paixão. Beijinhos, festinhas. Mas... anda a fazer-nos a vida negra. Regressão e birras. Como alguém me disse, acontece com todos os irmãos mais velhos, uns mais cedo, outros mais tarde. A minha esperança é que passe rápido, que a malta precisa de sossego.
Uma pessoa anda cansada, que anda, mas feliz.

o fenómeno da pressa

Há uma cena que eu nunca percebi, quando nasce um bebé.
Estou a falar do fogo no rabo que dá à maior parte das pessoas em conhecer o novo ser.
E tem de ser logo na maternidade, tau!
Aqui vai uma dica: por mais entusiasmados e felizes que estejam pela nova família, é dar espaço aí de pelo menos um mês aos novos pais. A sério. O bebé não vai a lado nenhum. Tem uma vida inteira para que o conheçam, vejam só!
E, quando estão numa de visitar em casa, aqui vão algumas sugestões:

- Levar algo para os pais comerem, tipo, uma refeição feita. Sim!
- Ajudar a passar a ferro. Ou a lavar a loiça.
- Demorar o mínimo possível.
- Não passar o tempo a dar bitaites.
- Não cravar lanchinhos ou almoços.
- Não aparecer sem avisar.
- Não aparecer no dia em que a mãe e o bebé chegam a casa.
- Enviar mensagens ou ligar, em vez de programar visitas.

Uma pessoa aprende à primeira, por isso desta vez serei delicadamente pela censura nas visitas e terei de pedir relax à malta apressada.

Domingo

Às vezes penso que devia obrigar a nossa cria a fazer a sesta ao fim-de-semana.
Quer dizer, eu já obriguei muitas vezes, mas era coisa que nunca surtia efeito. Ou punha-se a contar histórias sozinho, ou levava a malta amiga - Uki, Panda, Nenucos - para a cama para uma tertúlia, qualquer coisa para não dormir.
Até que desisti. Passámos a fazer a nossa vida ao fim-de-semana sem pensar em sestas.
Ontem andámos pela praia, com papagaios a aproveitar o vento e a pedalar na bicicleta (eu arrastei-me a pé, pois claro).
No caminho para casa, ele adormeceu. Apagou completamente. Não acordou quando o tirámos da cadeira auto. Nem reclamou quando lhe tirámos os sapatos e o casaco e o deitámos na cama dele.
Foi assim, vestido, cheio de areia para a cama. Sem fazer xixi ou jantar. Acordou por volta da meia-noite meio desnorteado, mas voltou a adormecer.
Dormiu das 19h às 8:30 (invejaaaaa).
Acordou fresco e perguntou quem é que o tinha tapado com o edredon.
Levei-o para a banheira e esfreguei-o.
A cama ficou cheia de areia. Assim de repente, acho que trouxe metade da praia com ele.
Gosto de ser adulta, mas caneco, não há nada como ser criança.

criar impacto é...

voltar ao café (e é raríssimo lá ir) onde fui há 1 ano atrás comprar um saco cheio de fizzs limão, o senhor olhar para mim e perguntar "quer um saco para levar os gelados?".

38w

Ai que canário.
Querem ver que a rapariga é mulher para se querer ficar até às 40 semanas? Ou mais??
Não estava à espera, confesso que pensei que ela seria ultrassónica. Que ía querer nascer rápido como o irmão. Mas não. Ainda está aqui comigo, numa partilha que é só nossa, é verdade, mas que me trucida as costelas.
Parece que os pés e mãos à Princesa Fiona foi coisa do calor e já passou.
Em compensação: tenho gemido à noite quando mudo de posição para dormir; mobilidade = zero; juro que às vezes ela quase que me fura a barriga com os calcanhares (provavelmente está a fazer pilates); e, para rematar, mais uma pequena infecção urinária. Toma lá.
Isto vai aqui uma grande animação.
Eu até gosto mais de Maio do que de Abril. Sim, e é mais giro que a rapariga nasça no mês das cerejas.
Mas tu ouve, mulher, não te prolongues muito mais que eu quero-te nos meus braços.

vais é passar a ir às compras sozinho

Comprei uma camisa gira nas horas para o meu pequeno homem, com riscas vermelhas.
Toda contente, mostrei-lhe e disse-lhe que ele ía usá-la naquele dia.
Resposta: "Mãe, eu não uso camisas vermelhas".

37w e um CTG

Havia apostas sobre chegar ou não chegar a este dia ainda em modo ovo kinder.
E cá cheguei gravidéééérrima.
Então lá fui ao CTG e à consulta.
No CTG, disseram-me para carregar no botãozinho de cada vez que sentisse a rapariga mexer. Foi um regabofe. Plim plim plim. Eu bem digo que ela é uma excitada, que me pontapeou meses e meses sem dó nem piedade, mas toda a gente acha que eu sou queixinhas.
No CTG do meu 1º filho, senti-o umas duas vezes e a enfermeira chegou a dar-me um caramelo a ver se o caramelo se mexia.
Com esta é sentar-me e ficar quieta. E rezar para não levar um pontapé nas costelas.
Na consulta, depois daquele belo acontecimento que dá pelo nome de "toque", ouvi pois que está com bom andamento. Dilatação em curso. Contracções idem. Cólicas.
Pronto, assim de repente acho que está tudo bem orientado.
Batata-frita-pai acordou para a vida e panicou um bocado quando percebeu que a coisa está iminente.
Eu cá já me rendi ao óbvio.
Entrou, tem de sair.

37w


E se às 35 semanas estava assim, às 37 estou em modo Princesa Fiona.
Mais propriamente com os pés dela. E os tornozelos. E as mãos.
Só não estão verdes.

ele foi correr

Acabo de obrigar batata-frita-pai a ir fazer jogging.
Ele não corre há meses. E não queria ir.
Será que volta inteiro? Será que volta? Dava jeito.
Medo.

tic tac tic tac

Já avisei a minha rapariga que este fim-de-semana não há ordem de soltura para ninguém e que é bom que não se arme em paraquedista.
Eu bem a sinto mega encaixada e ansiosa para conhecer o mundo. Mas tu ouve-me ó mulher, aguenta-te lá mais um bocado que este fim-de-semana tenho coisas para fazer.
Não fiando, está tudo muitíssimo a postos. Malas feitas, tudo pronto.
Quem ultimamente anda a dar o ar de sua graça é batata-frita-pequena.
Pois que já me tinham contado acerca de uma reacção muito comum em irmãos mais velhos, pouco antes do nascimento dos mais novos. Que de repente acontecem mega birras vindas não sei de onde.
Confirmo.
Depois das birras vem o "desculpa" e abraços, mas se for preciso 15 minutos depois vem mais uma onda de choro e gritaria.
Espetacular.
Algo me diz que o primeiro é o aquecimento. E que com o segundo é a vida real.
Vou ali inspirar e expirar. Olha, aproveito para treinar para o parto e soprar.

diálogos

Batata-frita-pequena fala fala fala fala...
Eu, com as orelhas a arder, digo: "Querido, desliga a ficha!!".
Ele, segundos depois: "Já desligueeeei!!".

36w

Não querendo estar já para aqui a armar-me em Maya, creio que está para breve o momento em que vamos conhecer a nossa rapariga.
Digamos que acho que já está à porta de casa, à espera da ordem de soltura.
Começaram as moínhas no fundo da barriga. Tal qual como na primeira gravidez. Cerca de 1 semana antes do nosso crianço nascer, senti isto. Depois vieram as dores de costas e as noites péssimas, em que já não conseguia pregar olho.
Para já ainda são só as moínhas, o resto dispenso.
Já estive com mais nérvus à flôr da pele, agora rendi-me ao facto do "entrou, tem de sair". Pois.
Seja como for, será muito bem recebida ♥.

Todos por um

Façamos algo pelo Rodrigo e por outros meninos que precisam da nossa ajuda.
O CEDACE estará presente no evento "Todos por um", pelo que quem ainda não se tornou dador de medula óssea poderá fazê-lo neste evento.

Quem está longe, poderá sempre aceder à página do Rodrigo e contribuir, como puder, claro está.

E quando o que tu mais querias começa a acontecer? Ah, espera aí. Isto tem prazo.


Já não temos o esquema da semana à vez há muito tempo, porque o nosso pequeno preguiçoso é rapazinho para se levantar, no mínimo, a partir das 9:00.
Recentemente rendi-me à evidência de que tenho de pôr o despertador para eu acordar e para dar seguimento a tudo o que é preciso fazer de manhã.
Hoje fiz três tentativas para o acordar.
Isto é incrivelmente fixe, pois. Quando tudo o que tu mais querias - ter um filho que dorme muito e bem e que te permite dormir também - acontece.
Mas depois, mais propriamente daqui a uma, duas ou três semanas voltará tudo à estaca zero, com a chegada da nossa rapariga.
Espetacular, não?

várias que tenho de registar

Eu, a roçar o furiosa, depois de já ter pedido três vezes: Apanha o que deixaste cair no chão se faz favor!
Ele: Está bem... Porque tu estás grávida, mãe!

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Eu, em conversa com batata-frita-pai: (...) porque os bebés precisam de rotina.
Batata-frita-pequena interrompe e diz: Os bebés precisam é de chuchas!

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Batata-frita-pai com os nérvus, a explicar à nossa cria que tem de travar a bicicleta nas descidas.
Batata-frita-pequena: Mas estás nervoso ou quê?

sopas e peixe garantidos

E quando estás sozinha em casa (com o teu filho de 3 anos a roncar na cama, por isso não conta...) na escuridão da noite e de repente, VAPUT, a luz vai-se?
Pões o rabinho entre as pernas - rezas para não encontrares uma personagem do além pelo caminho - levas o telemóvel contigo até ao quadro de eletricidade para teres alguma luz e ligas aquilo.
Mas... e se o quadro vem novamente abaixo?
Pensas que é uma conspiração qualquer de uma organização criminosa ou um sociopata que fugiu da Mentes Criminosas (de repente até pensas ouvir a música. MEDOOOOO). Que te querem roubar a casa e fazer refém ou outra coisa incrivelmente pior e lá vais tu cada vez mais acagaçada tentar ligar o quadro.
Olhas outra vez para o quadro, tentas ligá-lo mas o gajo nada. Morreu. Foi-se. Quinou. Já era.
Esqueces a cagufa da noite e a Mentes Criminosas e começas a proferir impropérios. As hormonas toldam-te a mente (já estás a dar safanões no quadro) e põem-te a língua afiada.
Ligas ao teu homem, perguntas se é para hoje ou para amanhã que chega a casa, dizes que a tua vida depende da electricidade e do peixe e sopas que estão no congelador.
Vais deitar-te stressada da vida. Tão stressada que adormeces em 5 minutos.
Acordas de manhã e descobres que o teu homem não só não conseguiu ligar pôrra de quadro nenhum, como ainda ressona ao teu lado.
Tentas acordá-lo (a medo, não esquecendo que isto é sempre algo perigoso de fazer, atendendo ao mau feitio matinal que lhe assiste) a falar novamente no peixe e nas sopas congeladas.
Ele acorda no seu melhor - NOT - e liga ao electricista maravilha que passa a manhã em nossa casa a tentar descobrir a causa do óbito do quadro de electricidade.
O quadro é ressuscitado (aleluia aleluia) e descobre-se a origem do curto-circuito.

Mas o melhor disto tudo foi o facto de as sopas e o peixe terem-se salvo. Um congelador, devidamente fechado, não descongela em 8 horas!
Amén.

é para rir ou para chorar?

Acto 1
Numa loja (que adoro) de fatos-de-banho, passo os olhos e as mãos por um lindo. Branquinho e justinho.
A senhora funcionária vem ter comigo e pergunta "Quer experimentar?".

Acto 2
Hoje, decido comprar um vestido. Peço o nº 38 (que eu sou daquelas grávidas armadas em boas que compram coisas para usar depois da gravidez, imagine-se, no mesmo nº que usava antes de engravidar, olha m´esta!). 
Diz a senhora a quem eu peço o vestido "É para si? Então se calhar é melhor experimentar o 42".

Adenda:
Acto 3 (esta é da primeira gravidez)
Entro numa loja, começo o meu périplo pela colecção. A senhora da loja vem ter comigo e diz "Também temos tamanhos grandes".

diálogos

Eu: Qual é a tua amiga preferida na escola?
Batata-frita-pequena: Tu, mãe! És a minha preferida.

Vou gravar isto, para um dia me sentir melhor quando me trocar por outras.

ontem à noite

Ele: "Mãe, quero leite".
Eu: "Acabaste de comer uma pratada de sopa. É melhor não beberes leite, senão depois fazes xixi nas cuecas".

Ele, olha para mim com um ar condescendente e diz "mas tu não me vestiste cuecas, só as calças do pijama".

35w

Olha! Sou eu!
(para os mais distraídos... a de cima, a quem o Super Mário está agarrado)

E pronto, é só isto que tenho a dizer em relação à semana 35.

sai um rabanete para a mesa do canto

Hoje, no carro, contava eu a batata-frita-pai: "Sabes, noutro dia tive de dar um raspanete ao (...) porque ele (...) e foi uma chatice".

Batata-frita-pequena: mãe, porque é que deste rabanetes ao senhor?

saber ou não saber

Há dias, numa loja, a senhora a quem eu estava a pagar perguntou-me se eu já sabia o que eu ía ter.
Primeiro lembrei-me destas respostas, depois sorri e disse "É uma menina. Já sei há muito tempo".
Então ela diz "Mas olhe, podia não querer saber. Eu quando estive grávida não quis saber o sexo do bebé".

Comoooooo?? Eu acho esta ideia muito romântica, tipo, no século XVIII.
Sei que ainda há muita gente que prefere a surpresa, mas... eu nunca na vida conseguiria aguentar tantos meses às escuras. Primeiro, porque sou uma cusca do pior. Segundo, porque para mim é importante saber o que nos espera, dar um nome, materializar o sonho. E terceiro, porque sendo uma menina, há toda uma imensidão de coisas que uma pessoa pode ir comprando. É um desperdício deixar para comprar depois!!!
Ai e não sei quê, antigamente ninguém sabia e não se morria por isso.
Pois, antigamente também não havia máquina de lavar a roupa, nem internet e não é por isso que hoje em dia andamos a lavar a roupa no tanque e a recusar computadores em casa.
Mais fixe ainda, hoje em dia há uma cena altamente que se chama ecografia morfológica em que se determina o sexo da criança.
Mas... nada contra quem prefere a surpresa, ok? Só não seria para mim. Eu não aguentaria!!

dia das mentiras

Adoro pregar tangas ocasionais ao meu homem. Sou uma artista, ele cai sempre.
Mas, no dia das mentiras ele adiantou-se e foi (excepcionalmente) mais brilhante do que eu.
Vínhamos cada um em seu carro, à noite, a conduzir à chuva em direcção a casa.
Nisto, liga-me ele (já estávamos mesmo a chegar a casa) "Opá, tive um furo, anda ter comigo".
Eu caí que nem uma patinha. E, atenção, eu percebo sempre quando o gajo me prega tangas.
Dei logo meia volta e voltei para trás, para o caminho que costumamos percorrer. Nisto, passa ele por mim com um sorriso maléfico (ainda a falar comigo ao telemóvel) e a dizer "Mentira de 1 de Abriiiiiiiil!!".
Fiquei lixada, claro, por acreditar e porque fiquei com o coração verdadeiramente a bombar.
No resto do caminho para casa pensei em como seria fácil dar o troco. Podia simplesmente aparecer na sala com um ar aterrorizado a dizer "A BEBÉ VAI NASCER!!!". Ou, melhor ainda (caneco, sou tão requintada), derramar água nas minhas calças de pijama e, para o deixar à beira de um ataque de nervos, dizer "REBENTARAM-ME AS ÁGUAS!! ESTOU COM CONTRACÇÕES!! LIGA AO MÉDICO!! TRAZ A MALA!! MEXE-TEEEEE!!!".
Estava tudo arquitectado.
Mas depois, quando chegámos a casa, vesti o pijama, fui ver o que tinha gravado e adormeci no sofá a ver a DD.
Pffffffff...

300 km/h

Ontem, feita ursa, andei de manga curta. Assim, como se nada fosse.
É que ando com os calores, para mim está sempre quente, eu sou um forno ambulante.
Mas o parvo do S. Pedro não se compadece com os meus afrontamentos e toma lá umas rajadazinhas de vento nórdico. Resultado: nariz a pingar e tosse. Noite dos infernos, quase em branco.
Hoje acordei com a minha cria a dar-me um beijinho e a aninhar-se comigo na cama. Ooooooh tão fofinho este meu filho, agora acorda sempre assim bem-disposto e vem ter comigo todo meiguinho e... são 9:30!!!!! Socorrooooo.
Parece que acordou, foi tratar da sua vida à casa-de-banho sozinho e tratou de ir ver televisão. A D. Amália deu-lhe o leite e assim ficou ali no sofá até às 9:30, quando decidiu ir ter comigo.
Pânico pânico pânico. Dei-lhe cereais a correr, vesti-me em meio minuto, vesti-o em outro meio minuto e vamos embooooooora.
Eu sei que a minha criança ainda não está na primária e que não existe um horário rígido, mas o acordar fora de horas põe-me nervosa, que fazer?
Agora é ir tratar da constipação-a-caminhar-para-gripe que é algo espetacular de ter quando se está grávida.
Ah, e não se fiem no sol. Nem no sonso do S. Pedro.
Fui.

itzbeen?

Ora, assim de repente, alguém conhece e tem uma coisa destas?
Eu não sou propriamente uma aficionada de gadgets, mas este pode ser interessante.

últimos cartuchos




Já não uso calças de ganga ou saias vai para um bom tempo.
Daqui para a frente, ou até a minha rapariga nascer, é só leggings.
Não há paciência para apertanços, tecidos que pouco esticam.
A minha bacia ganhou vida e alargou.
Mas há alguém que consiga usar os mesmos jeans do início ao fim da gravidez?
É tramada esta fase, em que se perde a paciência para a roupa, em que queimamos os últimos cartuchos e já só idealizamos cenas para vestir depois de desovar. Ai vida.
Há que tentar inverter as coisas e olhar para acessórios giros, pronto.
E usar túnicas compridas com os leggings. É uma fórmula repetidamente chata mas que funciona.

síndrome do ninho masculino

Batata-frita-pai acordou para a vida e chegou à conclusão que vai ser pai ao quadrado não tarda.
De repente perguntou-me "mas tu estás de quantas semanas?" e ficou com os nervos quando lhe disse que isto já vai em 34 semanas e que não é para alarmar, mas que estou em crer que mais um mês no máximo e a coisa dá-se.
Ai mas ainda não tratámos do carrinho e temos de tratar e tenho de ir ao Ikea comprar aquelas coisas que tu falaste e temos de resolver isso tudo. 
É assim. Eu ando a organizar a nossa vida há mais de um mês para não ter stresses e também porque sou uma mulher histérica a caminhar para o organizada.
Dei praí duas missões ao meu homem (porque ele leva uma vida louca e eu não quero azucriná-lo) que ele, como era de prever, foi arrastando. Mas, este fim-de-semana fez-se luz e ganhou fogo no rabo.
Agora é vê-lo a ir tratar do carrinho e a montar a cómoda.

0 0 0 0 0 (isto são amêndoas)


Nesta Páscoa vou atirar-me às amêndoas sem dó nem piedade. Pronto, também não vou afundar-me numa banheira de amêndoas, mas o esforço para ficar com uma margem de alguns kgs para o último mês resultou, por isso agora saiam-me da frente e não me recusem comida.
Prometo que não mordo. Se não me chatearem muito. Que as hormonas andam ao rubro.
Fui.
Ah! Boa Páscoa.

ler

Andei numa espécie de odisseia interminável por livros sobre a temática "a chegada de um irmão/irmã" e agora, olhando para trás, faço o meu best of.
Não comprei uma data deles, não queria bombardear a criança com isto, apenas uma vez ou outra meter uma destas histórias ao barulho, assim como quem não quer a coisa. E a verdade é que ele adora os livros, pede muitas vezes para eu os ler.
Há muitos livros por aí sobre o tema que eu não gostei. Li sempre a história e, ou parece uma história escrita para tótós (não, não é linguagem adaptada a crianças), ou tem abordagens que acho dispensáveis, tais como "vais ficar com ciúmes loucos, porque vais deixar de ter tanta atenção" ou "vais ter de ajudar a mãe a mudar as fraldas".
Aqui ficam os nossos:

"O Nascimento" - Um autêntico dicionário, sem meias palavras, com uma história engraçada que vai um bocadinho mais ao pormenor (sem ser demais), sobre o processo da gravidez até ao parto.
Ah, não se espantem se, depois deste livro, as vossas crianças começarem a perguntar coisas tais como "o mano vai sair por onde?" ou "vais fazer força para o mano nascer?" :D

Confesso que ler "O Rato Renato vai ter um irmão" à noite é um bocado seca, que a história é um bocadinho loooonga, mas a malta abrevia e acaba por ser uma história fofinha.

"O meu primeiro irmãozinho" foi a primeira compra e foi das melhores. É a história, sem rococós, breve e que conta o essencial. A mãe fica grávida, fala com a filha mais velha sobre o assunto, um dia vai para a maternidade para ter o caçula, a irmã mais velha vai conhecê-lo, regressam a casa e todos entram na rotina nova. É uma história boa e honesta.

Acho que me fico por aqui. O tema já está bem introduzido cá em casa, acho que não há muito mais a acrescentar. Agora é ir desfrutando e fazer figas para o sucesso da relação do meu casalinho piroso mais fôfo.