as perguntas tcharã

Eu sou daquelas chica-espertas que diz que vai explicar tudo aos filhos e que não há cá floreados nem cegonhas.
Mas, já não é a primeira vez, cai-me tudo quando ele faz as perguntas tcharã.
Isto faz-me pensar que, por mais que me prepare para o embate, ficarei sempre à rasca perante este tipo de perguntas.
As perguntas tcharã são os clássicos "como é que se fazem os bebés" ou "como é que os bebés nascem" ou "quando morremos vamos todos para o céu?" (OMG, já estou a hiperventilar...)
Prepare-se quem não tem filhos, ou quem tem só bebés, isto um dia toca a todas. E por mais à frente que uma pessoa seja, pode sempre ser surpreendida (ou surpreender-se).
Apesar de muitas vezes ser apanhada na curva com perguntas tcharã, há uma coisa que nunca me passa pela cabeça: mentir. Não é preciso mentir a uma criança (e na verdade, não é preciso mentir nunca a ninguém). Não se trata de contar a verdade como se estivéssemos a falar com uma pessoa de 30 anos, mas também não é preciso fazer um discurso à totó.
No fim, somos sempre apanhados se mentirmos e a verdade acaba por ser sempre o melhor para todos.
A primeira pergunta tcharã que eu ouvi foi aos 2 anos e meio "mãe, por onde é que a mana vai sair?". Eu não estava à espera, achava que antes dessa viriam perguntas mais básicas, mas não, o puto apanhou-me.
Fiquei atrapalhada, não disse nada de jeito, mudei de assunto. No dia seguinte abordei a questão e ele voltou a perguntar. E eu expliquei que os bebés podem nascer de duas maneiras. Pelo pipi ou pela barriga. Depois fiz 1274534 filmes na minha cabeça, ai o que é que o puto me vai perguntar a seguir? Mas ele só disse "está bem". E foi assim, contentou-se com essa resposta por alguns meses. Um dia voltou a perguntar e eu voltei a explicar.
Há uns dias veio a pergunta "mãe, como é que a mana entrou na tua barriga?". E eu hiperventilei mais um bocado e respondi que para fazer um filho é preciso amor. Que o pai mete na barriga da mãe uma semente que vai à procura da semente da mãe. Quando as duas sementes se encontram, forma-se um ovo que se vai desenvolver até se transformar num bebé.
Sim, fiz copy paste do livro :DD

diálogos

Eu bem disse, algures neste blog, que este livro despoletava reacções inesperadas.

Hoje, ao ler o livro pela 38463435ª vez:

"Daqui a muito tempo vais ter outra vez um bebé na tua barriga".
(Isto foi uma afirmação, o que me põe na dúvida se ele prevê o futuro)
..

"Mãe, como é que a mana entrou na tua barriga?".

nós

(não confundir o título com o prato do continente)

Ela
Está sempre bem-disposta e pronta para a rambóia. Adora o pai de paixão, é muito menina do papá. Gosta de fazer palhaçadas e imita o irmão em tudo. Gatinha a 300 km/h e anda agarrada às coisas, está quase quase a andar.
Não me pode ver a comer nada, rouba-me tudo o que tenho na mão e come. Adora queijo fresco.
Entrou para a escola com 11 meses. No início houve muito choro, mas agora está praticamente ambientada. Anda ao colo da escola inteira. É a bebé mais nova da escola e uma espécie de mascote.
Há uns dias teve o primeiro dia de praia e vibrou com tudo. E eu vesti-lhe um fato-de-banho incrivelmente piroso ah!

Ele
Ultimamente come mais do que eu ao jantar. Ganhou um kilo e noto-lhe nas bochechas.
Adora ter a irmã na escola, é muito vaidoso.
Anda muito solto. Deixou de andar colado a mim e pira-se da minha asa quando estamos fora de casa. Tenho de estar sempre de olho nele.
É muito tímido e calmo, mas quando se ambienta ninguém o pára.
É uma grande companhia e fala fala fala. E pergunta coisas. Pergunta muitas coisas. Mesmo muitas.

Eu
Ando sem tempo para escrever.
Continuam a haver diálogos hilariantes, cenas da vida diária e disparates que me ocorrem. Mas entre trabalhar, buscar os miúdos à escola e correr (aahhh, pensavam que eu me andava a baldar aos treinos com o PT sádico??), pouco sobra para escrever.
Mas nada disto é mau sinal. Pelo contrário. Ando ocupada na vida que adoro.

1 ano

Há um ano fomos almoçar a um restaurante micro, onde eu apertei a minha barriga gigante para caber no meio de uma mesa cheia de crianças e alguns adultos (eles começam a ser mais do que nós).
Almoçámos todos tranquilamente - as mesas à nossa volta talvez não tão tranquilamente - e depois de todos nos despedirmos, sentei-me no carro e percebi que as águas tinham acabado de rebentar.
Transferimos rapidamente e atrapalhadamente batata-frita-pequena para o carro da tia e primos e passámos por casa para buscar a mala. Depois, voámos para a maternidade.
Batata-frita-pai desnorteado a parecer pai de primeira viagem e eu a pedir-lhe para ficar menos histérico que estava tudo controlado e a correr como previsto. E, mais fixe de tudo, ela ía nascer em Maio (eu tinha uma fixação pelo mês de Maio).
Estive quase para me oferecer para conduzir o carro, mas já sabia era uma questão de minutos até as contracções começarem a doer a valer, por isso fiquei caladinha e a pensar em coisas absolutamente pertinentes, tais como que esta miúda tinha-me deixado almoçar e que eu não ía passar fome durante a tarde. Ou que estava a encharcar o banco do carro (quem me conhece verdadeiramente percebe que isto só poderia vir do meu cérebro).
Antes de dar entrada no quarto fui trocando mensagens com o meu médico, que interrompeu a folga e foi fazer uma perninha à maternidade.
Foram dores de morte até a santa epidural fazer efeito e não, não estou a ser dramática. Eram dores que me consumiam de cima a baixo e não havia respiração que as fizessem mais suportáveis.
O anestesista foi o melhor que me podia ter calhado. Aliviou a dor, mas não a eliminou completamente e assim tive a sensação incrível do parto.
Um parto rápido e calmo.
E uma bebé pequenina e perfeitinha. Que chorou assim que nasceu.
Olhei para ela e não senti surpresa. Senti que já a conhecia. É um cliché tão piroso como possível, mas é a verdade.
Comecei logo a namorá-la. Sem pânico do desconhecido, com a segurança que o segundo filho permite.
Deu-me um primeiro ano com demasiadas noites sem dormir. Mas, apesar do cansaço, encontrei-lhe sempre o sorriso e os olhos azuis grandes. Mesmo nos dias menos bons. Ela acrescentou definitivamente muito à nossa vida.
O que mais quero é que a magia perdure.


sabes que és uma nódoa quando...

- te esqueces que hoje era dia de levar o trabalho do dia da mãe. Voltas para casa depois de deixares os teus filhos na escola, para improvisares alguma coisa.

- consegues improvisar algo engraçado. No entanto, quando voltas à escola, cruzas-te com a educadora da mais nova que ao ver-te entregar o trabalho do mais velho pergunta "então e o trabalho da sua filha?".
Yeap, esqueci-me que tenho dois filhos e só fiz o trabalho para um.

- vais buscar os teus filhos à escola.
Vais buscar a mais nova à sala dela. Depois, vais buscar o mais velho. A educadora do mais velho olha para ti e diz "mas... ele foi à natação. Hoje é dia de natação, tem de vir buscá-lo mais tarde, lembra-se?".

diálogos

Hoje, depois da escola, eu e batata-frita-pequena na praia.
Uma súbita vontade dele de fazer xixi.
Disse-lhe para apontar para as rochas.
Olha para mim com ar sério e pergunta:
"Mãe, se eu fizer xixi para as rochas, elas vão crescer?"