aquele momento

... em que descobres um tomate podre no frigorífico, fazes pontaria para o caixote do lixo e... falhas.

ela

Às vezes espanto-me com o meu poder de adivinhação. Se calhar devia canalizar esta dádiva para cenas mais úteis. Tipo, o euromilhões ou assim.
Isto para dizer que, tal como eu previa, a nossa batata-frita-baby é adoravelmente lixada torcida.
Se com o irmão demorei algum tempo a perceber os traços de personalidade, com ela não precisei esperar por nada. Ela revela-se todos os dias.
É mandona e possessiva. Fica irada se vê o irmão ao nosso colo e empurra-o. 
Baixa o demo nela se lhe tiramos algo da vista que ela queira.
É sedutora, especialmente com o pai. 
Provoca o irmão, mas não vive sem ele. Dá-lhe beijinhos e esmaga-o. Chama-o pela casa. Quando o vê de manhã, cumprimenta-o sempre com um "olá!".
Adora galdeirice e se vê alguém sair de casa sem ela, fica possessa.
Adora comida de gente grande. Se nos vê a comer alguma coisa, grita pede porque também quer. E come mesmo.
Não gosta da sopa dela e, quando não quer mais, cerra a boca. Ah, e grita, claro.
Gosta de pôr os meus colares e o chapéu do irmão.
Vai buscar os sapatos dela e trepa para o carrinho para mostrar que quer ir para a rua.
Começou a andar há uns dias e passeia-se pela casa. Fica a brincar sozinha com a cozinha dela ou no quarto. Muito de vez em quando brinca com o irmão, mas é coisa para durar 30 segundos, até ela abrir um berreiro porque queria qualquer coisa dele.
O primeiro contacto com a piscina foi péssimo. Não gosta de ir à água. 
O primeiro contacto com a praia foi pior ainda. A areia provoca-lhe xiliques, não queria pousar os pés na areia, por isso calçamos-lhe as sandálias de borracha. Sim, a minha filha anda calçada na praia.
Já dorme a noite toda (aleluia aleluiaaaaa), excepto quando está doente ou quando perde a chupeta.
Quando digo às pessoas que ela está fôfa e esperta, mas que tem um grande mau feitio, oiço sempre a mesma resposta.
"Sai à mãe".

vantagens de uma ida às urgências pediátricas em Julho

Está às moscas e é tudo tão rápido que nem aqueço o rabo na cadeira da sala de espera.

as perguntas tcharã

Eu sou daquelas chica-espertas que diz que vai explicar tudo aos filhos e que não há cá floreados nem cegonhas.
Mas, já não é a primeira vez, cai-me tudo quando ele faz as perguntas tcharã.
Isto faz-me pensar que, por mais que me prepare para o embate, ficarei sempre à rasca perante este tipo de perguntas.
As perguntas tcharã são os clássicos "como é que se fazem os bebés" ou "como é que os bebés nascem" ou "quando morremos vamos todos para o céu?" (OMG, já estou a hiperventilar...)
Prepare-se quem não tem filhos, ou quem tem só bebés, isto um dia toca a todas. E por mais à frente que uma pessoa seja, pode sempre ser surpreendida (ou surpreender-se).
Apesar de muitas vezes ser apanhada na curva com perguntas tcharã, há uma coisa que nunca me passa pela cabeça: mentir. Não é preciso mentir a uma criança (e na verdade, não é preciso mentir nunca a ninguém). Não se trata de contar a verdade como se estivéssemos a falar com uma pessoa de 30 anos, mas também não é preciso fazer um discurso à totó.
No fim, somos sempre apanhados se mentirmos e a verdade acaba por ser sempre o melhor para todos.
A primeira pergunta tcharã que eu ouvi foi aos 2 anos e meio "mãe, por onde é que a mana vai sair?". Eu não estava à espera, achava que antes dessa viriam perguntas mais básicas, mas não, o puto apanhou-me.
Fiquei atrapalhada, não disse nada de jeito, mudei de assunto. No dia seguinte abordei a questão e ele voltou a perguntar. E eu expliquei que os bebés podem nascer de duas maneiras. Pelo pipi ou pela barriga. Depois fiz 1274534 filmes na minha cabeça, ai o que é que o puto me vai perguntar a seguir? Mas ele só disse "está bem". E foi assim, contentou-se com essa resposta por alguns meses. Um dia voltou a perguntar e eu voltei a explicar.
Há uns dias veio a pergunta "mãe, como é que a mana entrou na tua barriga?". E eu hiperventilei mais um bocado e respondi que para fazer um filho é preciso amor. Que o pai mete na barriga da mãe uma semente que vai à procura da semente da mãe. Quando as duas sementes se encontram, forma-se um ovo que se vai desenvolver até se transformar num bebé.
Sim, fiz copy paste do livro :DD

diálogos

Eu bem disse, algures neste blog, que este livro despoletava reacções inesperadas.

Hoje, ao ler o livro pela 38463435ª vez:

"Daqui a muito tempo vais ter outra vez um bebé na tua barriga".
(Isto foi uma afirmação, o que me põe na dúvida se ele prevê o futuro)
..

"Mãe, como é que a mana entrou na tua barriga?".