diálogos

Saímos à rua e está (finalmente) sol.

Eu (levemente histérica): Olha querido, está sol!
Batata-frita-pequena: Chegou a Primavera!!!

hoje

Hoje apetece-me fazer birra. Hoje o dia é meu.
E não vou finalizar com um "mas vale tanto a pena".
Escrevo aqui para não descarregar no resto do agregado familiar. Se bem que o meu cérebro hoje está tão danificado que acho que não teria energia para me chatear com nada. Hoje estou em piloto automático.
Foi uma noite animada. Tenho um recém-nascido outra vez em casa! Que acorda de 2 em 2 horas para mamar! Espetacular.
E depois quando, pelas 7:00 lhe dou de mamar e a deito pela 27554 vez, acorda o mais velho que implora que eu (e não o pai) o leve à escola. Ok, eu levo.
Vale a D. Amália que hoje está cá a limpar a casa. Rifo-lhe a minha rapariga e vou comprar café. Aproveito e tomo um também. Pergunta a senhora "quer um de intensidade 11 ou 12?".
"Há de 20?".
Faço uma pausa mais longa do que é suposto quando ela me pergunta se quero fechar a conta antes ou depois de tomar o café, que denuncia o lamentável estado em que a minha massa cinzenta se encontra.
Faço o resto das coisas que tenho para fazer em modo zombie e volto para casa.
E como hoje tenho a D. Amália para tomar conta da minha rapariga, vou deitar-me um bocadinho, mas como sempre, durante o dia não consigo dormir. Sai um xanax para todos!
Vou buscar batata-frita-pequena à escola e sorrio quando o vejo. Há uma cena qualquer quando o vou buscar à escola e bato os olhos nele, parece que tomo uma espécie de cápsula da felicidade. Isto é piroso mas é verdade.
Vamos lanchar e ele pergunta-me porque tenho os olhos cinzentos (olheiras) e eu respondo-lhe que é porque não dormi bem. Ele diz-me para eu beber leite à noite que aí vou dormir melhor de certeza.
E é assim, anseio fervorosamente pela minha noite. Não vale a pena pôr o pai de serviço, eu acordo na mesma. Por isso que se lixe que isto um dia há-de melhorar.


em modo "mexes o rabo ou levas"

Estava eu a comentar com o PT sádico o estado do tempo e como isso invalidava qualquer treino ao ar livre (e a imaginar-me a baldar-me e a mergulhar em scones com doce de tomate numa tarde chuvosa) quando ele me diz tem problema não. Cê vem no meu ginásio e a gentxi faiz o treino lá.
E é isto. Mexes o rabo ou levas.
Fui.

ter uma miúda

Eu já calculava isto, mas ter uma miúda é o suicídio da carteira.
Já tem pouca roupa a servir-lhe e a pouca que tem é de Verão.
Tem alguma emprestada, ainda assim faltam algumas coisas tais como vestidos (uma gaja precisa sempre de um ou outro vestido), collants, um casaco e uma ou outra touca.
E por isso lá vou eu ter de fazer o ENORME SACRIFÍCIO de ir às compras para ela.
Prometo controlar-me e ficar-me pelo que realmente falta. Mas dentro disto ainda posso divagar bastante.
Juro, os meus olhos até brilham.

ele e ela

Ele já não tem calças que lhe sirvam do ano passado. Todas curtas.
Adora a irmã de paixão. O ponto alto do dia para ele é, ao deitar, quando estão os dois na cama dele a ouvir uma história.
Anda em fase de negação com a sopa e não se importava de comer omeletes de fiambre todos os dias.
Noutro dia viu-me a sair para ir às compras e perguntou "Vais estourar dinheiro?".

Ela continua um texugo. Não, está ainda mais texugo.
Sempre bem-disposta. É raro chorar.
Não gosta de sopa. De papa assim assim. Continua a preferir a vaca leiteira.
Continua a acordar duas vezes por noite. Às vezes, com um bocadinho de sorte, acorda três.

pensamento do dia (a propósito das minhas noites espetaculares)

Se há coisa injusta na amamentação é calhar sempre a nós levantar à noite para dar de mamar. E ver OUTROS a roncar mesmo ao lado.
Já comentei com o meu homem que ando a ficar senil, que acordo sobressaltada a meio da noite, sem saber se dei ou não de mamar, se a pus na cama dela ou se a deixei na nossa. Sempre preocupada se rebolei para cima dela. 
Sim, estou a dar o tilt. De maneiras que vou comunicar ao macho mais velho cá de casa que vai entrar ele de turno, que eu quero roncar como ele.
Não tem mamas, mas tem leite congelado ou aptamil.
Fui.